Rio de Janeiro,
23 de Março de 2014.
Criatividade, sincronia e sinergia!
Um dos
textos que mais chamam minha atenção nos evangelhos é o texto do evangelho de
Marcos no capítulo dois. O discípulo do apóstolo Pedro (João Marcos – autor do
evangelho) descrever uma grade aventura de cinco amigos. Um deles é aleijado,
porém o texto não nos remete ao fato de que este homem nascera nestas
condições. O que nos leva a conjecturar que aquela amizade viera de
circunstâncias anteriores e mesmo em meio às dificuldades e atrocidades permaneceu
de igual forma, resistindo às intempéries da vida.
Alguns
detalhes são de extrema relevância. O texto se inicia dizendo que a casa onde
Jesus se encontrava estava completamente cheia, em um “carioquês”: “estava colocando gente pelo ladrão”. Era
impossível para aqueles homens transportarem seu amigo até Jesus, pois a
multidão implicava em ser uma barreira quase que intransponível.
É essa
fase do texto que acho extremamente profunda e edificante. Eis que surge
naquele momento uma questão: “Como iremos chegar até Jesus?” O texto não nos
fala como eles chegaram à conclusão de levar seu amigo pelo telhado e descê-lo
até os pés do Mestre. Todavia, acho essa iniciativa repleta de três palavras:
criatividade, sincronia e sinergia.
Aqueles
homens eram de uma criatividade sem par, a idéia de descer o homem pelo telhado
é algo tão rico em criatividade que fico imaginando a expressão facial de todos
os homens que estavam dentro da casa. Penso que todos que estavam do lado de
fora ficaram olhando a cena e se perguntando: “Por que não pensei nessa
possibilidade?” É bem verdade que devemos aprender a usar nossa criatividade em
prol da expansão do Reino e da edificação da igreja. Acredito que a criatividade
é algo essencial para a relevância em nossos dias. Uma reflexão é extremamente
válida: “será que não nos falta criatividade no que fazemos?”
A
sincronia é o outro fator que merece nossa atenção. Imaginemos quatro homens
descendo um aleijado em uma padiola (maca), amarrada somente por cordas em suas
extremidades. Se, apenas um deles, se descuidasse, já seria o suficiente para
que o homem perdesse o equilíbrio e viesse a cair. Se não houvesse a sincronia,
jamais aquele homem teria tido a oportunidade de ser curado de suas duas
enfermidades: corpo e alma.
A
criatividade e a sincronia dos quatros homens e do aleijado tiveram como força
motriz a fé, a fé de que Jesus poderia curá-lo da enfermidade. No campo da
teologia existem duas concepções teológicas acerca da doutrina da salvação
(sotereologia): monergismo e sinergismo. Todas duas originadas do grego:
“monos” significa “só”, “único” e “ergon” significa “trabalho”, “obra”.
Monergismo então é “Obra única” – essa concepção é encontrada naqueles que acreditam
que Deus elege pessoas para serem predestinadas ao céu e outras para o inferno.
Agora sinergia – “syn” significa “todos juntos”, “juntamente” e “ergon” que
significa “trabalho”, “obra”. Ou seja: aqueles que acreditam que a obra da
salvação é uma sinergia entre Deus e o homem. Deus vai ao encontro do homem, o
fazendo reconhecer através de seu Espírito quem Ele é. E o homem tem a
liberdade de responder a este Deus de forma positiva ou negativa.
Eles já
haviam sido convencidos pelo Espírito acerca da pessoa de Jesus. Jungindo ao
esforço de todos, criatividade e sincronismo. Tudo isso, possibilitou aquele
homem ser curado. Penso que esse é o papel da Igreja do Senhor. Levar os
perdidos a Cristo de forma criativa e sincronizada. E, no final, poder se
alegrar com aqueles que são alcançados pelo bom Mestre!
Certo de
que em Cristo reside toda fonte de criatividade e sincronia:
Seu
pastor, Roberto Meireles.
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