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sexta-feira, 29 de setembro de 2023

O amor é o caminho mais excelente de Paulo

 


O amor é o caminho mais excelente de Paulo

            Permita-me nesta primeira interpolação elucidar aos irmãos, a mudança brusca de direção feita pelo apóstolo Paulo, na primeira carta aos Coríntios quando o mesmo estava tratando acerca dos dons espirituais. Os textos estão exatamente localizados nos capítulos doze e quatorze. Todavia, entre estes dois capítulos, o apóstolo parece os interromper de forma abrupta, como uma expressão que segundo Preben Veng em seu comentário sobre o texto é uma espécie de “botão de reinicialização”.

            A igreja de Corinto havia sido capacitada pelo Espírito Santo com uma grande diversidade de dons espirituais. Porém, a motivação e a utilização desses dons não estavam sendo realizadas de forma correta. Assim, o apóstolo aperta esse “botão de reinicialização” buscando de forma retórica e hipotética ensiná-los o caminho mais excelente que eles deveriam percorrer, na prática de suas vidas cristãs e por consequência na utilização de seus dons.

            Dr.Gordon D. Fee tece o seguinte comentário sobre o intuito de Paulo com esta interpolação: “Ao mesmo tempo, no entanto, boa parte da linguagem sugere que Paulo está voltando a tocar em algumas das diferenças que ao longo da carta surgiram entre eles e os coríntios. Assim, a estrutura do argumento, por mais poética que seja, também reflete seu contínuo embate com eles. Em jogo estão ideias contrárias sobre o que significa ser “pessoas do Espírito”. É verdade que eles falam em línguas, o que Paulo não questionará como uma atividade legítima do Espírito. Mas ao mesmo tempo eles no mínimo toleram – se é que não endossam – sexualidade ilegítima, ganância e idolatria (ilustradas em 5.1; 5.9,10; 6.1-11; 6.12-20; 8.1—10.22). Eles papagueiam “sabedoria” e “conhecimento”, mas na “sabedoria” se opõem ousadamente a Paulo e seu evangelho de um Messias crucificado (1.18-31) e no “conhecimento” estão desejosos de “edificar” irmãos mais fracos, destruindo-os (8.10,11). Em suma, eles têm uma “espiritualidade” que tem armadilhas religiosas (ascetismo, conhecimento, falar em línguas), mas até certo ponto abandonam a ética verdadeiramente cristã, com sua supremacia do amor – o qual se manifesta em preocupação de que outros sejam “edificados” em Cristo.”

            Os primeiros três versos do capítulo, denotam a hipótese recheada por hipérboles, levantada por Paulo na utilização dos dons de uma motivação no mínimo equivocada. Essa confrontação do apóstolo deve nos fazer refletir em nossas motivações, ações e desejos dentro de nossa caminhada de fé seguindo o nosso Mestre. Jesus teve suas motivações, ações e desejos tendo sempre como pressuposto o amor, o caminho mais excelente.

            Nele, podemos também caminhar de forma mais excelente:

            Seu amigo e pastor, Roberto Meireles.

 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Sobre os ombros de gigantes – Parte 1


Rio de Janeiro, 30 de julho de 2020.
Sobre os ombros de gigantes – Parte 1
            Um trecho da carta de Isaac Newton para Robert Hooke ficou extremamente conhecido: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes.” O desejo de Newton era expressar a gratidão pela vida dos pensadores e cientistas que contribuíram para que a ciência pudesse ter alcançado a evolução até aquele momento e, que lhe havia proporcionado realizar suas teses e teorias tendo como pressuposto muitas contribuições de pensadores e cientistas que o antecederam.
            Desejoso como Newton de estar sobre os ombros dos homens e mulheres que me antecederam na fé; lembrando-me de John Stott que foi muito feliz ao dizer que é um erro não dar ouvidos ao que o Espírito Santo soprou sobre a vida de homens e mulheres ao longo destes dois mil anos de história da igreja. Assim quero tecer algumas singelas palavras na tentativa de refrescar nossa memória sobre a importância do cristianismo especificamente na luta contra o preconceito racial e a escravidão.
Tanto o preconceito racial quanto a escravidão não encontram eco e nem apoio no evangelho de Jesus de Nazaré. Tampouco encontramos alguma referência que sirva de pressuposto para tais coisas nos livros e nos escritos dos apóstolos.
            Se tomarmos, por exemplo, a igreja de Antioquia e sua diversidade cultural, social e étnica podemos aprender que nosso Deus não faz e nem legitima nenhum tipo de acepção de pessoas. O texto bíblico de Atos capítulo treze, cita que eram profetas e mestres, homens de diversas origens sociais, étnicas e culturais. Simeão chamado Níger era um homem negro oriundo muito provavelmente do continente africano. Lúcio de Cirene era alguém que foi criado por Herodes, ou seja, alguém de uma classe social alta. Já Saulo era filho de uma judia com um gentio, era tanto um judeu como um cidadão romano, ou seja, carregava consigo mesmo duas culturas diferentes.
Conseguem perceber a beleza da diversidade existente nesta igreja? Vale ressaltar que essa igreja era extremamente relevante pro seu contexto. Foi em Antioquia a primeira vez que os discípulos foram chamados de cristãos e onde o Espírito Santo inspirou aqueles homens, para o inicio da obra missionária dos moldes de envio para o campo como conhecemos hoje.
            É importante ressaltar o texto sagrado de Filemom, em que o apóstolo Paulo endereça uma carta a Filemom, este que era um irmão em Cristo,e que possuía os direitos sobre a vida de um escravo chamado Onéssimo. O apelo de Paulo a Filemom era que ele soltasse o irmão Onéssimo e se aquilo fosse causar algum dano para Filemom, que ele pudesse cobrar ao apóstolo por sua perda.
            Naquele contexto histórico, uma carta e um pedido como esse, era algo revolucionário. Paulo vai além do aconselhamento e pedido sobre a libertação de Onéssimo, com a autoridade que lhe fora imbuída pelo Senhor, em amor, ele exige que Filemom soltasse a Onéssimo, argumenta que se ele não ouvir por quem Paulo era e a quem ele representava, ele iria sofrer as consequências por não fazer aquilo que era correto aos olhos do Pai.
            A referência da visão de João no Apocalipse sobre a multidão diante do trono do Cordeiro de todos os povos, línguas e raças também não pode ser esquecido. (Ap. 7.9) Nada nos distingue diante do Senhor nosso Deus. A igreja de Jesus vitoriosa é composta por uma rica diversidade cultural, étnica e social. Não existe para o nosso Senhor nenhum tipo de acepção de pessoas, nenhum tipo de pessoas ou povos privilegiados por sua etnia, cultura ou classe social. Nosso Deus é um Deus de inclusão. Todos são bem vindo e aceitos por Ele!



sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Intimidade


Intimidade    
            Estamos às vésperas do findar de mais um ano e do alvorecer de outro. Talvez estes dois últimos, ou quem sabe até mesmo os últimos três anos, não tenham sido os melhores anos de sua vida. Nosso estado e nossa nação passaram por uma das maiores crises de sua história e, obviamente, sofremos as consequências destas mais diversas crises.
            Todavia, vale destacar que, mesmo passando por tantas lutas e tantas dificuldades, podemos concluir que: até aqui nos ajudou o Senhor! O Eterno, como nos prometeu em sua Palavra, nos abrigou debaixo da sombra de Suas asas. Deu-nos da Sua provisão, como fez com o povo de Israel no deserto. Se pararmos um pouco e analisarmos calmamente, chegaremos a conclusão de que a mão do Senhor esteve conosco nos guardando e sustentando até este momento.
            Destarte, o maior desejo do coração do Senhor é de se relacionar conosco. Esse relacionamento que Ele deseja ter conosco não é algo frio, distante, fluído, como adjetivado pelo estudioso Baulman. Muito pelo contrário! O desejo do coração do Senhor é se relacionar de forma íntima com cada um de nós. Por várias vezes nas Escrituras, Ele nos dá prova de que esse é o desejo do Seu coração.
            No jardim do Éden, a Bíblia nos apresenta essa relação entre Adão e Eva e o Altíssimo. A Bíblia nos relata que, no findar da tarde, o Senhor descia ao jardim para conversar com Adão e Eva; o Senhor desejava ouvir como foi o dia de Adão e Eva; desejava saber o que estava se passando pelo coração deles. E, mesmo quando Adão e Eva pecaram contra o Senhor, Ele não deixou de procura-los; Sua procura por eles no jardim se deu de igual forma. Ele sabia muito bem o que eles haviam feito, porém, Ele havia decidido os amar de forma incondicional.
            Esse amor d’Ele por nós é tão intenso que, ao analisarmos as narrativas Bíblicas e a história, iremos sempre nos deparar com a tomada de iniciativa de Deus de se aproximar da humanidade. Mesmo durante os períodos mais sombrios da humanidade, mesmo quando a Sua pessoa era blasfemada e desonrada, o Senhor decidiu nos amar e sempre dava o primeiro passo para estreitar o relacionamento com as pessoas.
            Acredito piamente e, de uma forma muito categórica, afirmo a vocês: O coração do Senhor continua pulsando de amor por cada um de nós e desejando se relacionar de forma íntima conosco!
            Mas, muitas vezes a superficialidade de nossa relação com Ele não nos permite ter a sensibilidade de entender e sentir a profundidade de seu amor para conosco. Andamos tão preocupados com o dia de amanhã que nos esquecemos das promessas de Deus sobre cada um de nós, e acabamos ocupando nossas vidas com as coisas que deveriam ser secundárias.
            O Senhor Jesus, no evangelho de Mateus 6.33, nos ensinou que em primeiro lugar devemos buscar o Reino de Deus e sua justiça. E, ao buscarmos o Reino de Deus e Sua justiça, o Senhor nos diz que, todas as coisas ditas ao longo do texto de Mateus 6 que nos geram preocupação, nos serão acrescentadas.
            Tenho refletido muito sobre isso nestes últimos meses, principalmente pelo fato de eu ter completado 35 anos nesse fim de ano; acrescente-se a isso que, como é de costume na sociedade e em nossa denominação, a juventude vai até esta idade. Como até hoje o Senhor tem feito valer em minha vida esta promessa! No período áureo de minha mocidade, por volta de meus 20 anos, eu fiz um voto ao Senhor: “Eu cuidarei das tuas coisas Senhor. E entrego todas as minhas em tuas mãos!” Muitas vezes acredito que falhei em cuidar das coisas d’Ele. Certo de que sempre procurando acertar e dar o meu melhor, mas como imperfeito que sou, falhei muitas vezes. Mas pelo lado d’Ele, Ele foi fiel em todo tempo e cuidou de mim e dos meus nos mínimos detalhes.
            Se posso lhe dar um conselho para este ano que irá iniciar é o seguinte: “Ame o Senhor de todo o teu coração e o busque intensamente. Desenvolva o hábito de todos os dias separar um tempo para estar a sós com Ele!”
            Meus votos e minha oração por cada um de vocês é que vocês busquem em primeiro lugar o Reino do Senhor e sua Justiça e tenham a certeza que das demais coisas Ele cuidará!
            Um feliz ano novo a todos repleto das mais copiosas bênçãos do Senhor.
            Certo de que em Cristo temos tudo o que precisamos!
Seu pastor e amigo:
            Roberto Meireles.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Precisamos de um avivamento!


Precisamos de um avivamento!

            Tenho me dedicado a estudar sobre a o tema avivamento e suas raízes na Bíblia e na história da igreja. O despertamento sobre o assunto iniciou com a releitura que estou fazendo do livro de Atos dos Apóstolos. O interesse foi aumentando ao ouvir uma oração de um pastor sobre o assunto e também após ter ganhado de presente do meu amigo Jefferson Ferreira uma obra clássica publicada pela editora PES com os “Sermões do ano de Avivamento 1859” de C.H. Spurgeon, o príncipe dos pregadores batistas.
            O Eterno tem esquentado meu coração com o tema. O desejo de estar na presença do Senhor em busca de um genuíno avivamento tem sacudido as estruturas de meu coração. As palavras do profeta tem invadido minha alma com um convite em beber das fontes do Manancial de Águas vivas. Trocar as cisternas que andamos tentando extrair água pela verdadeira fonte de águas límpidas e claras.
Posso ouvir de forma clara a voz do profeta bradando como arauto do Altíssimo em me convidar: “Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas.” (Jeremias 2.13)
            Porém, percebo que o desejo de estar na presença do Senhor não é mais o anseio de todo cristão de todos nossos dias. Nós amamos e esmeramos muito mais alcançarmos as coisas deste tempo presente. Essa geração de cristãos tem sido evidenciada por uma característica: a superficialidade. John Stott estava certo ao fazer diagnóstico em minha humilde opinião.
            Há pouco tempo atrás recebemos em nossa comunidade um grande amigo: O Pr. Fernando Pinto. Ele foi muito feliz em fazer uma relação sobre a fragilidade que uma relação conjugal tem ao não desfrutarem de um diálogo e um aprofundamento de intimidade. Disse ele: “Nenhum casamento resiste se tiver apenas cinco minutos de conversa por dia. Como queremos que nosso relacionamento com Deus seja salutar se não conseguimos nem ao menos ter cinco minutos de conversa com Ele através da oração?”
            Concordo plenamente. Sem oração não há relação com Deus. Sem oração não há vida para o viver cristão. Sem Ele nada podemos fazer. Sem a presença d’Ele não há distinção de nós cristãos para os nãos cristãos. Todavia, mesmo sabendo disso, não desejamos buscar ao Senhor.
            O Senhor Jesus tratou a questão do abandono do primeiro amor como pecado em sua carta a igreja de Éfeso no Apocalipse de João. As palavras de Jesus exortavam aos crentes daquela igreja a se arrependerem e lembrarem onde caíram e voltarem ao primeiro amor.
            A minha sincera oração ao Senhor tem sido essa: “Senhor, faz de novo! Faz de novo Senhor. Sopra de novo o teu Espírito sobre nós e provoca um genuíno avivamento em nosso meio!” E você? Qual tem sido sua oração? Gostaria de se juntar a mim para juntos clamarmos ao Senhor para avivar o nosso povo?
            Certo de que em Cristo podemos experimentar um genuíno avivamento da parte do Senhor:
            Seu pastor, Roberto Meireles.
           

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Oportunidade perigosa!




Rio de janeiro, 31 de dezembro de 2017.

Oportunidade perigosa!

            Toda vez que me deparo com momentos de incertezas e de grandes desafios em minha vida, lembro-me do relatório que fora prestado para Moisés por Josué e Calebe, que eram dois dos doze espias que foram enviados para espionarem a terra que o Senhor havia prometido como herança para o seu povo.
            O texto bíblico de números 13 conta esta narrativa. As Escrituras nos dizem que dez espias deram um relatório extremamente negativo sobre a terra. A perspectiva deles sobre a possibilidade de apropriação da terra era extremamente pessimista. Eles só conseguiam enxergar as dificuldades que iriam enfrentar para se apropriarem da terra.
            Todavia, Josué e Calebe enxergaram por um prisma bem diferente. Eles olharam para os benefícios que a terra possuía. Obviamente, o próprio texto sagrado assim também conta, eles não ignoram as dificuldades que teriam, mas eles se agarram a convicção, a certeza de que o Senhor iria cumprir a sua promessa.
            “A palavra que os chineses usam para ‘crise’ é a junção de dois caracteres – way e gee – cada um deles tem significado completo. O primeiro significa perigo, e o segundo, oportunidade. Assim, para os chineses, uma crise é, uma ‘oportunidade perigosa’.”[1]
            Ah! Vale ressaltar outra observação que é pertinente ao texto. Gostaria de lhe fazer uma pergunta. Se você souber me responder é porque você é simplesmente um gênio em todo o universo, no que diz respeito ao conhecimento bíblico. Pois bem, lá vai à pergunta: Quais os nomes dos dez espias que deram o relatório negativo a Moisés sobre a terra prometida?
            Você não sabe? Muito bem. Nem eu!
            Na verdade a maioria de nós irá lembrar apenas de dois nomes. Os nomes de Josué e de Calebe. O nome dos dois homens que enxergaram na crise, uma “oportunidade perigosa”. O nome daqueles que tiveram um prisma negativo sobre a conquista da terra, nem ao menos é lembrado por seus nomes.
             Os anos de 2015, 2016 e 2017 foram marcados por uma enorme crise. Essas crises levaram muitas pessoas ao desemprego, a falência, a depressão, e muitas outras dificuldades que foram oriundas deste tempo caótico. Posso dizer de modo pessoal que não foi fácil. Penso que todos nós tivemos nossas crises de medo, de ansiedade, de incertezas ao nos depararmos com tudo que passamos. Realmente não foi fácil. Porém, se conseguirmos ter outro prisma sobre este tempo de crise. Podemos enxergar “oportunidades perigosas” que o Senhor nos proporcionou.
            A semelhança de Josué e Calebe que durante o tempo de crise foram usados por Deus para levarem sua nação à vontade de Deus em direção há dias melhores. Tenho plena certeza que o Eterno também deseja nos usar para levar nossa família, nossa comunidade cristã e nossa nação para dias melhores. Basta que possamos entender a vontade de Deus e aproveitar as “oportunidades” que aparecem diante de nós.
            Minha oração e minha orientação aos irmãos é que em 2018 possamos pedir ao Senhor que nos encha de seu Espírito Santo e nos direcione em todas as coisas para o centro de sua vontade. Se andarmos direcionados pelo seu Espírito Santo, tenho certeza, iremos ser instrumentos da graça de Deus para vida de muitas pessoas que estão precisando de nossa ajuda.
            Certo de que em Cristo as “oportunidades perigosas” são apenas a forma de Deus manifestar seu Senhorio e sua Soberania sobre tudo e todos:
            Seu pastor, Roberto Meireles.




[1] LUTZER, Erwin W. Vencendo o medo do fracasso: lições da vida de Josué. São Paulo: Editora Vida, 2013, pp. 130.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É tempo de celebrar ao Senhor pelos 500 anos da Reforma.

Rio de janeiro, 01 de outubro de 2017.

É tempo de celebrar ao Senhor pelos 500 anos da Reforma.

            No dia 31 de outubro de 1517, um monge Agostiniano, chamado Martinho Lutero, fixava nas portas do castelo de Wittenberg na Alemanha o que ficou conhecido mundialmente como as “95 teses de Lutero”. É a contar desta data que celebramos a reforma protestante. Foi nesse momento histórico que o Senhor começou a escrever uma nova história em sua igreja.
            As chamadas teses de Lutero eram pequenos textos que combatiam heresias teológicas e outros tipos de abusos cometido pelo papa epocal que respondia pelo comando da igreja dita cristã mundial, ou pelo menos da igreja ocidental, que ficou conhecida como igreja católica apostólica romana.
            As reinvindicações feitas por Lutero não eram algo novo. Homens e mulheres já haviam se pronunciado sobre o assunto e também reivindicado uma reforma teológica e moral no seio da igreja. Todavia, estes não tiveram o êxito que foi alcançado por Lutero e os outros reformadores de seu tempo.
            A reforma teve como seus pilares alguns pontos teológicos que são vitais para um cristianismo bíblico salutar. Estarei de forma breve e singela expondo aos irmãos estes pontos neste espaço:

Sola fide (Somente a fé) – A salvação se dá pela graça mediante a fé. “Vocês salvos pela graça, por meio da fé. Isso não vem de vocês; é uma dádiva de Deus. Não é uma recompensa pela prática de boas obras, para que ninguém venha se orgulhar”. (Ef. 2.8-9)

Soli deo Glória (Somente a Deus glória) – Somente daremos glórias a Deus. Nenhum objeto e nenhuma pessoa são dignos de glória. Somente o Senhor deve receber glórias. “Pois todas as coisas vêm dele, existem por meio dele e são para ele. A ele seja toda a glória para sempre. Amém!” (Romanos 11.36)

Solus Christus (Somente Cristo) – A salvação se dá somente por Cristo. Somente a obra redentora de Jesus é o suficiente para novamente aproximar o homem de Deus. Somente por meio da obra redentora de Jesus o homem encontra salvação eterna. “Há um só mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus. Ele deu a sua vida para compra a liberdade de todos”. (I Tm. 2.5)

Sola Scriputura (Somente as Escrituras) – As Sagradas Escrituras são a nossa única regra de fé e prática. Nós não somos direcionados por tradições, homens ou dogmas. Nossa fé é orientada pela Palavra de Deus. Somente pela Palavra. “Acima de tudo saibam que nenhuma profecia nas Escrituras surgiu do entendimento do próprio profeta, nem de iniciativa humana. Esses homens foram impulsionados pelo Espírito Santo e falaram da parte de Deus”. (II Pedro 1.20-21)

Sola Gracia (Somente a graça) – Nossa salvação se dá somente pela graça. A salvação é um presente de Deus. “Vocês são salvos pela graça, por meio da fé. Isso não vem de vocês, é uma dádiva de Deus. Não é uma recompensa pela prática de boas obras, para que ninguém venha se orgulhar.” (Efésios 2.8-9)

            Além de resgatar doutrinariamente a igreja. A reforma protestante possibilitou ao mundo a abertura para um novo tempo. A ciência, a cultura, a política, a arte, a educação, tiveram novos rumos após a reforma. A reforma protestante foi um evento histórico de grande importância para a humanidade.
            Nós como cristãos históricos sempre devemos nos lembrar de nossas raízes históricas. De modo que o nosso passado nos ajude a nunca nos afastarmos das Escrituras, mas também que prossigamos a reformar a igreja de tradições e dogmas humanos que não são bíblicos. Que o lema das igrejas reformadas continue sendo o nosso lema: “igreja reformada sempre se reformando”.
            Certo de que Cristo continua no controle da história de sua igreja:

            Seu pastor, Roberto Meireles.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Cosmovisão bíblica de discipulado de jovens.

Rio de janeiro, 26 de julho de 2017.

Cosmovisão bíblica de discipulado de jovens.

Resultado de imagem para gerações baby boomers x y z alphaSempre fico perplexo com o abismo que é gerado de uma geração para outra. Particularmente, estou vivendo essa questão. Estou caminhando para completar ao final deste ano 34 anos. Minha filha mais velha estará completando 12 anos em novembro deste ano. E tenho percebido o abismo existente entre os valores e a cultura existente na sociedade de minha época de adolescente para os valores e a cultura existentes hoje.
É um mundo totalmente diferente. Mesmo que não tenha se passado tanto tempo assim. São vinte anos apenas. Mas as mudanças foram muitas. Vou explicar um pouco destes conflitos de gerações através de nomenclaturas que os estudiosos deram na tentativa de classificar as gerações, elucidando suas principais marcas.
Geração “Baby Boomer” – Essa geração foi marcada pelo findar da segunda guerra mundial. Essa geração hoje possui mais de 45 anos de idade. O termo “baby boomer” pode ser traduzido como “explosão de bebês”. O nome foi dado pelo fenômeno social ocorrido nos Estados Unidos devido à quantidade de bebês nascidos em um mesmo período após o final da segunda guerra mundial com o retorno dos soldados a suas famílias. Essa geração é marcada por sua aversão a violência e a busca pela paz. Eles são os inventores da era “paz e amor”.
Geração X – Os estudiosos classificam essa geração como a geração presenciou as chamadas “diretas já” e o fim da ditadura. Esta geração nasce em meados da década de 60 e o fim da década de 70. Eles são extremamente avessos à mudança. São caracterizados pela busca da estabilidade até mesmo no âmbito profissional.
Geração Y – A geração Y é a geração que nasce na década de 80. Essa geração é a geração que acompanha as maiores mudanças tecnológicas em um curto espaço de tempo.  A Geração Y se individualiza ao apresentar características como capacidade em fazer várias coisas ao mesmo tempo, como ouvir música, navegar na internet, ler os e-mails, entre várias outras que, em tese, não atrapalham os seus afazeres profissionais. Essa geração também apresenta um desejo constante por novas experiências, o que no trabalho resulta em querer uma ascensão rápida, que a promova de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua.
Os perfis da Geração X e Y são bastante diferentes quando colocados em comparação os seus comportamentos. Enquanto o X prefere tranquilidade o Y quer movimento; o Y deseja inovar a qualquer custo, já o X prefere a estabilidade e o equilíbrio. Tais contrastes apresentam uma dificuldade para as empresas que possuem colaboradores da Geração X subordinados a Geração Y. A maioria dos mais velhos não aceita com naturalidade um comando imposto por um mais novo, que por sua vez acha morosa demais as decisões dos mais velhos.
Geração Z – Os jovens nascidos a partir de meados dos anos 90 compõe esse grupo. São caracterizados por um comportamento extremamente individualista e muitas vezes antissocial. Uma geração que é extremamente ligada ao mundo virtual. Tão presente neste mundo que às vezes prefere o mesmo a momentos familiares, tais como: sentar-se a mesa em família para as refeições, conversa pessoal com os pais e amigos, etc. São caracterizados pelo imediatismo. Querem tudo para agora. Não conseguem ter paciência em ensinar, por exemplo, os mais velhos que possuem dificuldade com algum aparelho eletrônico atual. Os estudiosos já preveem uma grande dificuldade que essa geração terá no mercado de trabalho quando terão que trabalhar em equipe.
Essa breve explicação das diferenças existentes entre gerações nos faz compreender a urgência que temos em diminuir os abismos entre as gerações e criarmos pontes para que o discipulado possa acontecer e levar as gerações posteriores o evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Visando ser assertivo tenho estudado muito sobre esse assunto. Vale ressaltar que esse mergulho tem tido como pressuposto as Escrituras na busca de desenvolver uma cosmovisão Bíblica para discipular jovens e adolescentes.
            Ao analisar as chamadas cartas pastorais. Escritas pelo apóstolo Paulo encontro a mesma preocupação de Paulo. Existia no coração do apóstolo o desejo de ensinar aos jovens ministros a continuarem a caminhada transmitindo o evangelho as próximas gerações. O apóstolo Paulo expressa isso bem claro ao dizer a Timóteo: “Você me ouviu ensinar verdades confirmadas por muitas testemunhas confiáveis. Agora, ensine-as as pessoas de confiança que possam transmiti-las a outros.” (2 Timóteo 2.2- Nova Tradução Transformadora)
            Não podemos jamais perder a esperança de um futuro melhor para a igreja brasileira. Como pais, pastores, educadores, nossa meta é discipular cada pessoa em Cristo Jesus buscando o aperfeiçoamento da mesma na busca da estatura de Jesus nosso Senhor, que é o nosso padrão de plenitude tanto como ser humano e como servo do Senhor.
            Minha oração e dedicação é que como igreja de Jesus sejamos capazes de criar essas pontes para que o poder de Deus se manifeste a todas as gerações. Levantando todos ao pleno conhecimento de Deus que reside na pessoa de Jesus Cristo.
            Certo de que Cristo é a ponte para todas as gerações:

            Seu pastor, Roberto Meireles.            

sábado, 17 de setembro de 2016

A centralidade da cruz.

Rio de janeiro, 27 de março de 2016.
A centralidade da cruz.

          Todas as religiões e ideologias geralmente tem seu conceito intimamente ligado a um símbolo.  O judaísmo ortodoxo não se utiliza de nenhum símbolo, pois entendem que a ordem expressa de Deus em não se confeccionar imagem ou escultura se enquadra nesta questão. Todavia, a grande maioria se utiliza da estrela de Davi como símbolo da promessa de Deus em que da linhagem de Davi viria o Messias.
            Os budista se utilizam da flor de Lótus como símbolo da pureza do corpo e da mente. Geralmente é utilizada como local juntamente com a imagem de Buda, que está sentado acima da mesma. No islã, a outra fé monoteísta que se levantou no Oriente Médio, é simbolizado pelo crescente ou meia-lua, pelo menos na Ásia Ocidental. Originalmente o crescente representava uma fase da lua e era símbolo de soberania em Bizâncio antes da conquista mulçumana.
            “As ideologias seculares deste século também possuem seus sinais que são universalmente reconhecíveis. O martelo e a foice do marxismo, adotados em 1917 pelo governo soviético e retirados de um quadro belga do século dezenove, representa a indústria e a agricultura. O fato de serem cruzados significa a união de operários e camponeses, da fábrica e do campo.” A suástica que há milênios atrás era utilizada como símbolo de prosperidade, foi utilizado por Hitler como símbolo da intolerância nazista.
            O cristianismo teve muitos símbolos no início, nos primórdios cristãos. Nas catacumbas em Roma encontramos símbolos ligados ao cristianismo tais como: o pavão (que era um símbolo da imortalidade), uma pomba (um símbolo do Espírito Santo), o louro dos atletas (simbolizando a vitória de Cristo), e também um peixe que em grego se escrevia “ichthys” (que era o acrônimo de Iesus Christos Theou Huios Soter, “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador).
            Dr. John Stott faz um comentário interessante acerca do simbolismo da cruz: “Um emblema cristão universalmente aceito teria, obviamente, de falar a respeito de Jesus Cristo, mas as possibilidades eram enormes. Os cristãos podiam ter escolhido a manjedoura em que o menino Jesus foi colocado, ou banco de carpinteiro em que ele trabalhou durante sua juventude em Nazaré, dignificando o trabalho manual, ou o barco do qual ele ensinava as multidões da Galileia, ou a toalha que ele usou ao lavar os pés dos apóstolos, a qual teria falado de seu espírito de humilde serviço. Também havia a pedra que, tendo sido removida da entrada do túmulo de José, teria proclamado a ressurreição. Outras possibilidades eram o trono, símbolo de soberania divina, o qual João, em sua visão, viu que Jesus partilhava, ou a pomba, símbolo do Espírito Santo enviado do céu no dia de Pentecostes. Qualquer destes símbolos teria sido apropriado para indicar um aspecto do ministério do Senhor. Mas, pelo contrário, o símbolo escolhido foi uma simples cruz. Seus dois braços já simbolizavam, desde a remota Antiguidade, os eixos entre o céu e a terra. Mas a escolha dos cristãos possuía uma explicação mais específica. Desejavam comemorar, como centro da compreensão que tinham de Jesus, não o seu nascimento nem a sua juventude, nem o seu ensino nem o seu serviço, nem a sua ressurreição nem o seu reino, nem sua dádiva do Espírito, mas a sua morte e a sua crucificação. Parece que crucifixo (isto é, uma cruz contendo uma figura de Cristo) não foi usado até o sexto século.”[1]
            Acredito piamente que os irmãos optaram em escolher como símbolo do cristianismo a cruz simplesmente pelo fato dela ocupar a centralidade no propósito divino. Jesus veio ao mundo com uma missão específica: a cruz. Ainda adolescente quando estava no templo e é interpolado por seus pais sobre seu sumiço Ele responde: “não vê que estou na casa de meu Pai, cuidando de seus interesses”. (Lc. 2.41-50) Ele tinha ainda adolescente plena convicção de que possuía uma missão. Por diversas vezes ensinou sobre a questão de não ser um Messias político, mas sim um servo sofredor. Quando é levado ao deserto pelo Diabo para ser tentado demonstra que não veio para os holofotes e sim se abnegar para cumprir sua missão. Quando Pedro o questiona sobre sua fala de morte, Ele o repreende e diz que Pedro foi usado pelo inimigo naquele momento que queria a todo custo o afastar da cruz. Pois sabia que a missão do Mestre era a Cruz.
            Hoje celebramos a Páscoa. A Cristandade mundial celebra a morte e a ressurreição do nosso Senhor. Por sua morte e ressurreição somos possibilitados novamente a ter comunhão com Deus, e também vida eterna em seu Reino. Celebramos a vida de Jessus, pois Ele não está mais naquele túmulo. Ele ressurgiu ao terceiro dia, e foi assunto ao Pai, e desde então está a sua destra, aguardando o momento de seu retorno glorioso.
            Quiçá essa vitória só é celebrada pelo fato de ter existido uma cruz. E foi lá naquele lugar de vergonha e dor, naquele lugar de escárnio e tortura, que o Nazareno se fez maldito por nós, para que nós fossemos feitos bem aventurados aos olhos do Pai Celestial. Toda vez que você ver uma cruz lembre-se: Ele venceu a morte naquele lugar. Para que eu e você pudéssemos ter vida, e vida em abundância.
            Certo de que a mensagem da cruz é a mensagem central do evangelho de Jesus:
            Seu pastor, Roberto Meireles.



[1] STOTT, John. A Cruz de Cristo. São Paulo: Editora Vida, 2006, pg.19.

Novos tempos exigem novos rumos para Educação Cristã:


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Rio de janeiro, 03 de abril de 2016.

Novos tempos exigem novos rumos para Educação Cristã:
        A sociedade em que vivemos sofreu inúmeras transformações nas últimas duas décadas. Minorias que outrora eram esquecidas e banidas pelos mais diversos motivos começaram a ganhar “voz” no âmbito social. Tomemos por exemplo alguns grupos, tais como: homossexuais, negros, mulheres, povos indígenas, etc.
            Porém estas minorias reivindicam, em sua maioria (evidentemente que toda regra possuí sua exceção), direitos individuais em detrimento ao social. Escrevendo sobre isso o pastor Júlio Zabateiro diz: “Uma das novas raízes que brotaram rizomas é a da cidadania. Vivemos em um tempo em que os direito são assumidos e defendidos intensamente, não só os individuais, mas também os de grupos de minorias – mulheres, negros, povos indígenas, homossexuais – que saíram a público e conquistaram espaço, visibilidade, respeitabilidade, mesmo através de conflitos por vezes ásperos e preconceituosos. No entanto, em meio a tantas lutas por direitos específicos, é preciso viver de forma cidadã, pois há o risco da fragmentação do espaço público em reinvindicações particulares enquanto as grandes estruturas dominantes do mercado permanecem controlando a vida em geral.”[1]
            Penso que, um dos papéis da Educação Cristã em nossos dias é orientar os cristãos acerca de sua vida cristã, todavia, o ensinando como seu viver a vida, vida está que possui os valores do Reino de Deus, se aplica em seu cotidiano, e também em sua vida comunitária (nas três esferas: família, igreja e sociedade). Como os seus valores devem nortear sua conduta mediante a um cenário tão plural e heterogêneo. Haja vista que existe um povo ainda não alcançado a ser alcançado. E o grande desafio de ensinar aos irmãos a serem relevantes sem ferirem a sã doutrina.
            Acredito também que é papel da Educação cristã oferecer auxílio em busca de uma práxis de vida abundante em Jesus de Nazaré. Afinal de contas foi o próprio Jesus que nos disse que veio para nos dar vida, e a nos dar em abundância. Para que compreendamos esta fala de Jesus precisamos entender que estamos em uma luta constante, uma luta cósmica, a luta entre a “carne” x “espírito”.
Algumas falas demonstram o total desconhecimento em relação ao verdadeiro sentido desta bipolaridade quando dizem zelar pela santificação tirando o mundo do cristão. Todavia, o processo de vida abundante, perpassa em entendermos que não somente nossas vidas estão sendo redimidas pelo sangue do cordeiro. Mas também toda criação o deve ser junto conosco. Quando entendermos este princípio entenderemos que através de nós, o Eterno deseja  dar vitalidade ao mundo. Jürgen Moltmann falando sobre isso diz: “devemos ser redimidos com o mundo, e não do mundo. A experiência cristã do Espírito não nos desvincula do mundo. Quanto maior for nossa esperança pelo mundo, maior a nossa solidariedade com seus clamores e sofrimentos.”
            Talvez o grande desafio de nossa geração seja conseguir transmitir os valores do Reino de Deus com uma comunicação que seja totalmente clara e que alcance o anseio existencial da sociedade que estamos inseridos. Parece-me que existe um abismo nesta comunicação. Cabe aos educadores deste tempo presente construir pontes para que o ensino possa ser transmitido e compreendido por aquele que o recebe.
            Minha sincera oração é que Deus nos guie e nos dê estratégias e ferramentas para que consigamos ser relevantes. Que o Senhor nos abençoe e nos direcione em todas as coisas!
            Certo de que Cristo pode ser glorificado através do ensino de sua Palavra:
            Seu pastor, Roberto Meireles.
           



[1] ZABATEIRO, Júlio. Novos caminhos para educação cristã. São Paulo: Hagnos, 2009, pg. 16.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Recuperando o fôlego.

Recuperando o fôlego.


Durante algum tempo venho pensando sobre o que faz homens e mulheres determinados em alcançar o alvo, renovarem suas forças durante o percurso rumo ao objetivo que traçaram.
Sem contar o fato de que, durante este trajeto enfrentam os mais diversos tipos de intempéries ocasionados pelos mais variados motivos, que a possibilidade do viver os apresenta.
As perguntas que me vem à mente são: “Como eles conseguem se auto motivarem para continuar o trajeto na direção do objetivo traçado? Como eles conseguem recuperar o fôlego para continuar correndo rumo ao prêmio?”
É bem verdade que muitas vezes me sinto como um nadador que está tentando ir ao mais profundo do oceano, e que vasculha visando encontrar o tesouro que foi naufragado por lá, porém ao se aproximar do mesmo o oxigênio acaba e ele é obrigado a retornar a superfície novamente, para poder voltar a respirar.
É exatamente essa sensação que tenho em alguns momentos de minha vida, nos objetivos que traço. É exatamente como esse mergulhador que está próximo de ter em suas mãos o tesouro que procura e por pouca coisa vê o mesmo escapar de suas mãos pela falta de oxigênio para continuar a nadar.
Talvez você possa estar sentindo-se assim. Exatamente como este mergulhador. Às vezes o sentimento que tenta se apoderar de nós, em algumas situações de nossas vidas, pode ser ilustrada por esta pequena estória. Todavia, o mergulhador possui duas opções.
A primeira opção é sentar-se a beira do porto, chorar e comiserar-se porque estava tão perto de alcançar seu sonho, mas pela falta de oxigênio não conseguiu. E dai em diante começa a pensar o que não deu certo e começa a culpar a si mesmo porque não se utilizou de outra estratégia. Porque não se utilizou de um cilindro maior de oxigênio. Enfim, fica se remoendo, deixa seus objetivos de lado e se acostuma a ficar com pena de si mesmo, reclamando das improbabilidades que o abateram e o derrubaram de sua trilha vencedora.
A segunda opção é levantar a cabeça. Examinar o que não deu certo. Refazer o planejamento. Buscar novas alternativas e se lançar novamente nas profundezas do mar para alcançar os objetivos com quem tanto sonha.
No mar da vida também é assim que funciona. Muitas vezes nosso oxigênio acaba quando estamos tão próximos de conseguir alcançar os nossos sonhos. Às vezes nossa falta de oxigênio pode ser um desemprego; uma doença inesperada; um problema conjugal; um problema de ordem financeira; um problema de ordem sentimental. Enfim, nosso oxigênio pode acabar devido às dificuldades enfrentadas no decorrer de nossas vidas.
Todavia, gostaria de lembrar a ti que está lendo este pequeno texto. Sempre podemos recuperar o folego. Se seu oxigênio está acabando. Não se desespere. Volte à superfície e você encontrará a mão do Senhor lhe puxando para o barco novamente lhe dando o oxigênio para voltar a nadar ao mais profundo do mar da vida, em busca de seus objetivos. Em busca de seus sonhos.
“O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes”. (Deuteronômio 31.8)
Certo de que em Cristo sempre encontraremos oxigênio:
Seu pastor, Roberto Meireles.

quarta-feira, 25 de março de 2015

É tempo de reconstrução:

Rio de Janeiro, 29 de março de 2015.

É tempo de reconstrução:

            Essa semana estive envolto em uma correria muito frenética, como se toda semana eu não estivesse. Mas, tinha que ler três livros para entregar resenha dos mesmos ao Dr. Pr. Henrique Araújo e também entregar o meu pré-projeto da tese de dissertação do mesmo mestrado. Além disso, o Pr. Henrique me pediu para substituí-lo em um treinamento dos radicais da JMN (Junta de Missões Nacionais) na quinta feira. Ou seja, mas coisa para estudar. Além de tudo isso, ainda tinha as minhas atribuições pastorais: preparar sermões, preparar esta pastoral, aconselhar, visitar, preparar o encontro das células, orar pelos irmãos, ligar para os aniversariantes, procurar saber como estavam os enfermos, ligar para os irmãos que tenho sentido a falta nos cultos, etc. Ufa! Foi mesmo tenso e cansativo. Mas o Senhor deu graça e conseguimos cumprir nossas tarefas.
            Mas falei tudo isso para salientar aos irmãos que mesmo mediante todas estas atribuições e afazeres, de modo algum poderia deixar de buscar a presença do Senhor, pois ela é essencial para que todas estas coisas possam ser realizadas a contento. E também é a forma pelo qual me mantenho de pé em sua presença. O que faz toda diferença em nossa vida é saber que não estamos abandonados. Ele está conosco!
            Todavia, você pode estar passando por um momento um tanto quanto diferente do meu. Você pode não estar conseguindo fazer seu devocional. Talvez, há muito tempo não esteja se relacionando com Deus da forma que Ele deseja. E o que Ele deseja é um relacionamento de intimidade. Talvez você seja uma pessoa que pratica os ensinamentos de Jesus, como a igreja de Éfeso no Apocalipse. Uma igreja que amava a doutrina, mas só tinha um problema: ela havia perdido o primeiro amor. A ordem de Jesus aquela igreja era: “arrepende-te e volta e inicia novamente do lugar onde caíste”.
            Nosso relacionamento com Deus também pode ser reconstruído. Gostaria de terminar com uma história que li essa semana e que falou muito ao meu coração.
            “Thomas Carlyle escreveu A história da revolução Francesa à mão antes da existência dos computadores e até mesmo da máquina de escrever. Depois de três anos de vasta pesquisa, tinha de si um manuscrito de 1.500 páginas. Entregou sua obra finalizada a John Stuart Mills para que a editasse e revisasse. Mills colocou o manuscrito num cesto para que pudesse brincar com ele a noite, a luz da lareira. Durante uma viagem, em que esteve fora de casa, sua empregada viu a pilha de papéis e achou que as folhas estavam ali para ajudar a acender a lareira. Quando John Stuart Mills voltou, todo o manuscrito já fora destruído.
            Ao saber do ocorrido, Thomas Carlyle entrou em depressão profunda. Fechou as cortinas de sua casa e recusou-se a comer. Depois de algumas semanas, abriu uma das cortinas. Do outro lado da rua havia um homem trabalhando num muro de tijolos que havia sido derrubado, em frente a antiga igreja. Durante três semanas, oito horas por dia, Carlyle viu o homem reconstruir aquele muro, tijolo após tijolo. Quando o muro estava refeito, parecia tão bom quanto um muro novo.
            Se ele pode reconstruir aquele muro tijolo por tijolo, disse Carlyle, posso reconstruir meus manuscritos página por página. Ele começou a escrever e, depois de dois anos, concluiu o trabalho. Hoje, A história da Revolução Francesa, de Thomas Carlyle, é um clássico da literatura histórica.”[1]
            É tempo de reconstruir o nosso relacionamento com Deus. Mesmo que seja um processo mais vagaroso. Dia a após dia. O que você me diz? O Senhor continua te aguardando todos os dias ao fim da tarde para o encontro com Ele, à semelhança de como era no Éden com Adão e Eva.
            Certo de que em Cristo podemos ter um relacionamento de amizade com o Senhor:
            Seu pastor, Roberto Meireles.
           





Bibliografia:
CORDEIRO, Wayne. Andando com o tanque vazio? São Paulo: Editora Vida, 2011.





[1] CORDEIRO, 2011, p.98.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Restauração:

Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 2015.

Restauração:



            Estava navegando pela internet quando me deparei com um depoimento do jornalista Ricardo Boechat sobre uma frase cunhada pela cantora e compositora Maria Bethânia que dizia: “Tenho pena do Brasil”.
            A fala do jornalista transmitia, em minha opinião, o sentimento que permeia o coração da grande maioria dos brasileiros em os nossos dias. Temos um sentimento de total desconforto com o atual momento que vive o nosso país. Todos os veículos de comunicação só nos notificam acerca de corrupção, aumento de impostos e taxas, mortes e violência de um modo geral, o aumento do número de usuários de drogas, aumento da taxa de jovens infectados pelo vírus da AIDS, e muitas outras porcarias mais.
            Quando nos deparamos com este quadro social, político e econômico do nosso país, de fato, o sentimento que temos é pena, como bem sintetizou em sua frase a cantora Maria Bethânia. Pena porque sabemos do grande potencial existente em nossa nação para sermos uma das maiores potências mundiais em todos os sentidos. Todavia, o que encontramos pela frente é um quadro que parece irreversível aos olhos de nós, meros mortais.
            Quando estava refletindo e orando pelo nosso país, de modo automático veio a minha mente a figura de Neemias e o momento em que ele teve a triste notícia sobre o estado do seu povo e de sua cidade natal. É bem verdade que para um judeu a destruição da cidade santa, o lugar onde estava o templo sagrado, era um apontamento de que Deus havia castigado Israel devido ao seu caminhar tortuoso.
            Acabei que, ao lembrar de Neemias, entendi ser da parte de Deus exaurir o texto sagrado e nele encontrar alimento para minha alma aflita pelas mais diversas questões supracitadas. Ao examinar o texto deparei-me com algumas atitudes de Neemias que podem nos auxiliar na restauração que estamos precisando da parte do Senhor.
            A necessidade de Neemias era a restauração da cidade. Talvez a sua necessidade seja a restauração de sua família, ou quem sabe a restauração de sua vida espiritual, ou até mesmo a restauração de alguma outra área de sua vida. Ao examinar as atitudes de Neemias encontro alguns princípios que irão nos ajudar neste processo de restauração.
            A primeira atitude que Neemias fez foi tomar conhecimento do verdadeiro estado de seu povo e de sua cidade natal. Ele pergunta a seu amigo como estavam às coisas na cidade e com o povo. O moço então lhe dá a resposta e Neemias imediatamente fica pasmo com noticia tão triste. Para termos restauração precisamos conhecer ou reconhecer o real estado de nosso problema. Como você realmente se encontra? O que está causando essa devastação que tem tirado seu sono, sua paz?
            A segunda atitude de Neemias foi separar um tempo somente para orar e jejuar. Ele não tomou nenhuma providência sem ter um tempo de busca ao Senhor dos Exércitos. É interessante que na oração que Neemias faz ao Senhor encontramos três características: exaltação, intercessão e confissão de pecados pessoais e comunitários. Após identificar o seu problema gostaria de orientá-lo no Senhor que não tome nenhuma providência de imediato. Separe um tempo para buscar ao Senhor em oração e jejum. Peça a Deus que Ele fale a seu coração.
            A terceira e última atitude de Neemias foi reconhecer quem ele era e sua importância dentro do Reino de Deus. E nós será que sabemos quem somos? Será que sabemos qual é o nosso lugar no Reino de Deus? Muitas vezes o Altíssimo deseja usar nossa vida para a restaurar a vida daqueles que nos cercam. Todavia, por não conseguimos reconhecer o problema, não termos uma vida piedosa e não sabemos quem somos no Reino. Acabamos perdendo a oportunidade de experimentar mais de Deus e de sua restauração para nossas vidas, famílias e para aqueles que nos cercam.
            Certo de que em Cristo sempre há restauração:
            Seu pastor, Roberto Meireles.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Paradoxo da Imperfeição

Rio de Janeiro, 01 de fevereiro de 2015.

O Paradoxo da Imperfeição

            Muitos escritores já usaram sua pena para descrever a cerca do cristão, sendo atacado, ou acusado, por alguém. Tais acusadores alegam que ele deve ser um ser perfeito, sem máculas.  Alguém em quem consigamos enxergar a aureola por cima de sua cabeça. Alguns destes escritos marcaram meu pensar sobre esta questão: “Super Crentes, de Paulo Romeiro”, “Salvos da perfeição, de Elenai Cabral”, “Pode ou não pode, de Ricardo Gondim”, e alguns outros. Sem mencionar as mensagens de Caio Fábio, Ed Rene Kivitz, Ricardo Gondim, etc.
Não tenho a pretensão de fazer nenhuma espécie de adendo às contribuições na construção do pensamento destes grandes pensadores. Todavia, gostaria de alguma forma através de minha humilde pena expressar o que está inundando o meu coração neste momento de minha vida.
O dicionário Houasis da língua portuguesa define paradoxo como: “Pensameto, proposição ou argumento que contraria princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião concebida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria; aparente falar de nexo ou de lógica; contradição; raciocínio aparentemente bem fundamentado e coerente, embora esconda contradições decorrentes de uma análise insatisfatória de sua estrutura interna...”
A questão de Deus amar o imperfeito aparentemente nos apresenta um paradoxo. Como pode um ser perfeito amar alguém imperfeito. Como pode alguém perfeito voltar sua atenção, seu afeto, seu amor, seu prazer, a alguém tão cheio de falhas e limitações. Acredito que foi pensando sobre esse paradoxo que o salmista exclamou: “Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?” (Salmo 8.4) Senhor, que é o homem, para que o conheças, e o filho do homem, para que o estimes?(Salmos 144.3)
            Gondim expressa algo interessante em seu artigo “a masmorra da perfeição” ele diz: “Imperfeição, longe de qualquer parentesco com pecado, é condição humana. Admitir isso não significa humildade, mas simples constatação. Nunca humano algum vai conseguir desvencilhar-se de sua condição deficiente. O que é bom, pois crescimento e maturidade se iniciam a partir dessa admissão... Quando falo de imperativos, lembro que Graça nunca pode deixar de ser o norte cardeal da espiritualidade cristã. Graça ensina que Deus não só tolera os erros humanos, Deus celebra os limites da nossa imperfeição. Ele conhece a finitude de homens e mulheres e a enorme complexidade de viver. E não nos odeia por pisarmos os cadarços de nossos sapatos existenciais. Deus reconhece o valor do erro nos processos pedagógicos.”
            Acredito que o cerne de Deus amar-nos mesmo sendo imperfeitos, é que Ele, o Altíssimo, sabe muito bem quem somos: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó” (Salmos 103.13-14)
            Nossa limitação é conhecida por Deus, que escolheu nos amar, mesmo sendo Ele Deus perfeito, e nós humanos imperfeitos. É essa verdade que Paulo escrevendo aos Filipenses tenta nos transmitir dizendo: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra”. (Filipenses 2.5-10)
            O que tenho percebido é que, muitas vezes sistemas religiosos, sociais, políticos, tem nos escravizado. Acorrentando de forma patológica seres humanos aos seus “esquemas perfeitos de mundo das ideias”.
            O nosso Emanuel escolheu nos amar, mesmo sendo quem somos. E Ele continua acreditando, que no decorrer da vida cristã poderemos amadurecer e dar frutos de justiça para sua honra e glória.
            Minha sincera oração é que você, através do Altíssimo, experimente o verdadeiro sentido do amadurecer, pela graça de Jesus. Longe dos sistemas cartesianos religiosos, que ao invés de libertar, escravizam.
            Certo de que em Cristo há aperfeiçoamento para minha imperfeição:
Seu pastor imperfeito, Roberto Meireles.

            

Quando Deus restaura o que foi perdido – Parte 2

Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2026. Projeto Bíblia - Estudo do Livro de Atos dos Apóstolos Tema da Mensagem  – Quando Deus restaura o...