Mostrando postagens com marcador Resenhas e Resumos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenhas e Resumos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de julho de 2026

RESUMO CRÍTICO – FORMADOR DE HERÓIS (INTRODUÇÃO + CAPÍTULOS 1-4)


Rio de Janeiro, 09 de julho de 2026.

GPS – ENCONTRO DE LÍDERES

ESTRUTURA DO ENCONTRO:

1º MOMENTO – ADORAÇÃO, COMPARTILHAMENTO E ORAÇÃO

2º MOMENTO – CAPACITAÇÃO - OS 4 PRIMEIROS CAPÍTULOS DO LIVRO “FORMADOR DE HERÓIS.

3º MOMENTO – ALINHAMENTO DAS CÉLULAS

RESUMO CRÍTICO – FORMADOR DE HERÓIS (INTRODUÇÃO + CAPÍTULOS 1-4)

A grande proposta do livro é simples, porém profundamente desafiadora: O verdadeiro sucesso da liderança cristã não é construir um grande ministério, mas formar líderes que construirão outros líderes.

Os autores afirmam que a maioria dos líderes vive tentando ser o "herói" da história. Jesus, porém, não veio para ser o único protagonista permanente, mas para formar discípulos capazes de continuar sua missão.

Assim, a pergunta deixa de ser: "Quantas pessoas eu lidero?" E passa a ser "Quantos líderes estou formando?" Essa mudança representa uma transformação completa na maneira de compreender liderança, sucesso e legado.

Os autores iniciam contrastando dois tipos de líderes: 1) O herói: centralizador de decisões, recebe reconhecimento, acumula responsabilidades, mede sucesso por resultados pessoais; 2) O formador de heróis: este compartilha autoridades; investe em pessoas; celebra o sucesso alheio; mede seu sucesso por seu legado.

O autor usa o exemplo de Barry (um executivo bem-sucedido) ilustra essa mudança de paradigma: após conquistar prestígio profissional, ele conclui que sua verdadeira missão não era acumular realizações pessoais, mas desenvolver dez jovens líderes que o superassem.

Segundo Ferguson e Bird, muitas igrejas vivem presas ao modelo do "pastor-herói": tudo depende dele; todas as decisões passam por ele; todos os ministérios giram em torno dele; quando ele sai, o ministério enfraquece. Na perspectiva dos autores, isso não corresponde ao modelo de Jesus.

A introdução é extremamente forte. Seu maior mérito é confrontar uma cultura ministerial baseada em desempenho, números e notoriedade. Talvez a crítica mais importante seja esta: "Você pode construir uma igreja grande sem formar líderes." Essa frase desmonta muitos modelos contemporâneos de crescimento eclesiástico.

1º CAPÍTULO – O SEGREDO DA LIDERANÇA DE JESUS

            O segredo da liderança de Jesus foi morrer para si mesmo e viver para multiplicar outros. Jesus nunca buscou ser indispensável. Pelo contrário. Durante três anos, Ele preparou pessoas que continuariam sua missão. O autor usa alguns argumentos para servir de base para sua afirmação.

Jesus Investiu mais profundamente em poucos - Embora pregasse para multidões, Seu maior investimento foi: os Doze; Pedro, Tiago e João; posteriormente líderes como Tiago. O foco nunca foi quantidade imediata. Foi profundidade.

O reino de Deus cresce por multiplicação - Os autores apresentam uma lógica interessante: Adicionar pessoas produz crescimento linear. Multiplicar líderes produz crescimento exponencial.

O ego é o maior inimigo da multiplicação - Enquanto o líder precisar: ser reconhecido; controlar tudo; receber crédito, ele nunca conseguirá multiplicar líderes. Vamos usar um exemplo prático da vida ministerial para tornar mais claro a percepção dos autores. Um pastor que prepara um jovem para pregar, mesmo sabendo que ele poderá fazê-lo melhor no futuro. Esse pastor escolhe perder protagonismo para ganhar legado.

2º E 3º CAPÍTULO – PERGUNTAS ERRADAS E PERGUNTAS CERTAS

            Esses dois capítulos representam uma mudança de paradigma para a liderança cristã. Ferguson e Bird demonstram que a transformação de uma igreja não começa por novos programas, mas por novas perguntas. A força da argumentação está em mostrar que as perguntas revelam as prioridades do coração do líder: enquanto as perguntas erradas tendem a centralizar o ministério na figura do pastor, as perguntas certas deslocam o foco para a formação de discípulos e líderes, em sintonia com o modelo de Jesus.

            Para líderes esses capítulos funcionam como um verdadeiro exame de consciência. Eles desafiam a substituir uma liderança voltada para resultados imediatos por uma liderança orientada ao legado, na qual cada tarefa ministerial se torna uma oportunidade intencional de desenvolver outra pessoa para servir ao Reino de Deus.

CAPÍTULO 2 – PERGUNTAS ERRADAS

CAPÍTULO 3 – PERGUNTAS CERTAS

Como posso fazer melhor?

Como posso desenvolver alguém?

Como posso crescer?

Quem Deus está formando?

Como resolvo esse problema?

Quem pode aprender resolvendo esse problema?

Como mantenho tudo funcionando?

Como multiplico líderes?

Como faço?

Quem fará depois de mim?

 

PERGUNTAS ERRADAS:

            Os autores afirmam que a qualidade da liderança é determinada pela qualidade das perguntas que fazemos. Muitas igrejas deixam de multiplicar líderes porque estão tentando responder às perguntas erradas. Antes de mudar métodos, é preciso mudar a maneira de pensar.

            Embora apareçam em diferentes contextos, elas possuem uma característica em comum: são perguntas centradas no líder e na organização, e não no Reino de Deus. Entre elas destacam-se: "Como posso fazer melhor?" Essa parece uma boa pergunta, mas possui uma limitação. Ela mantém o líder como protagonista. O foco continua sendo: meu sermão; meu ministério; meu pequeno grupo; minha liderança. Os autores argumentam que melhorar aquilo que fazemos é importante, mas não suficiente. Uma igreja pode tornar-se extremamente eficiente e continuar sem multiplicar líderes.

            Outra pergunta muito comum: "Como posso crescer?" Ela concentra a atenção em: frequência, orçamento, eventos, estrutura, influência. Nada disso é necessariamente errado. O problema é quando o crescimento institucional substitui a multiplicação de pessoas.

            "Como faço para manter tudo funcionando?" Essa pergunta leva à manutenção. O líder passa a gastar toda sua energia resolvendo problemas imediatos. Consequência: administra mais; desenvolve menos pessoas.

            Um dos argumentos mais fortes do capítulo é: O sucesso pode esconder um grande fracasso. Uma igreja pode parecer saudável porque cresce, possui bons programas, arrecada recursos, oferece excelentes cultos. Mas, se não estiver formando novos líderes, seu futuro estará comprometido.

            Os autores apresentam líderes que dedicam quase todo o tempo a: organizar eventos; apagar incêndios; resolver conflitos; administrar agendas. Ao final de anos de ministério, percebem que continuam indispensáveis. Isso revela que houve crescimento da estrutura, mas não das pessoas.

Separei alguns princípios estabelecidos pelos autores:

·         Atividade não é o mesmo que produtividade;

·         Crescimento não é o mesmo que multiplicação;

·         Fazer mais não significa gerar mais contribuições para o Reino;

·         Eficiência pode esconder ausência de discipulado;

Perguntas para reflexão pessoal:

·         Minha agenda revela que estou dando prioridade em formar novos líderes?

·         O que eu lidero depende exclusivamente de mim?

·         Eu consigo identificar pessoas que eu lidero colocando em prática algo que eu ensinei?

·         Se eu saísse amanhã, será que eu deixaria um sucessor (a)?

PERGUNTAS CERTAS

            Depois de abandonar as perguntas erradas, o líder precisa aprender a fazer perguntas que produzam multiplicação. Os autores mostram que as perguntas corretas mudam completamente as prioridades do ministério.

            A principal pergunta deixa de ser: "Como posso fazer isso?" E passa a ser: "Quem Deus quer desenvolver através disso?" Essa mudança é o coração do livro. Todo desafio ministerial passa a ser visto como oportunidade de formar alguém.

            "Quem posso desenvolver?" Essa talvez seja a pergunta mais importante. Em qualquer área: culto, célula, visita, evangelismo, ensino. O formador de heróis procura alguém para caminhar junto.

            "Quem pode fazer isso comigo?" Em vez de executar sozinho, o líder convida alguém para observar. Esse princípio lembra Jesus chamando os discípulos para acompanhá-lo. Primeiro eles observam. Depois ajudam. Mais tarde assumem responsabilidades.

            "Quem poderá fazer isso depois de mim?" Essa pergunta produz legado. O ministério deixa de depender da permanência do líder. Os autores afirmam que líderes extraordinários vivem preparando sucessores.

            "Como posso liberar essa pessoa?" Não basta ensinar. É necessário: confiar, delegar, acompanhar, corrigir, celebrar. A formação acontece quando existe espaço para servir.

            A lógica da multiplicação acontece quando um líder deixar de perguntar: "Quem pode me ajudar?" E passa a perguntar: "Quem posso ajudar a crescer?" Essa pequena mudança altera toda a cultura existente.

            Um exemplo bem prático. Um pastor precisa ensinar uma classe. Pergunta errada: "Quem pode substituir-me hoje?" Pergunta certa: "Quem posso preparar durante seis meses para assumir essa classe permanentemente?" O foco deixa de ser resolver um problema imediato e passa a desenvolver uma pessoa.

            A mudança de identidade acontece quando um líder deixa de ser conhecido pelo que ele faz. E começa a ser conhecido pelas pessoas que ele desenvolve. Esse é um dos conceitos mais fortes tratado pelos autores neste livro.

 

PARA REFLEXÃO:

            Esses dois capítulos representam uma mudança de paradigma para a liderança cristã. Ferguson e Bird demonstram que a transformação de uma igreja não começa por novos programas, mas por novas perguntas. A força da argumentação está em mostrar que as perguntas revelam as prioridades do coração do líder: enquanto as perguntas erradas tendem a centralizar o ministério em si mesmo, as perguntas certas deslocam o foco para a formação de novos líderes, em sintonia com o modelo de Jesus.

            Para líderes esses capítulos funcionam como um verdadeiro exame de consciência. Eles desafiam a substituir uma liderança voltada para resultados imediatos por uma liderança orientada ao legado, na qual cada tarefa ministerial se torna uma oportunidade intencional de desenvolver outra pessoa para servir ao Reino de Deus.

4º CAPÍTULO – LIDERANDO COMO FORMADOR DE HÉROIS

            O capítulo apresenta a transição do líder-herói para o formador de heróis como uma mudança de identidade, e não apenas de metodologia.

Os autores argumentam que muitos líderes sinceros desejam desenvolver pessoas, mas continuam exercendo um modelo de liderança que concentra decisões, responsabilidades e reconhecimento em si mesmos. O resultado é uma igreja dependente do líder, e não uma comunidade que multiplica discípulos.

A proposta do capítulo é clara: O verdadeiro líder mede seu sucesso não pelo que realiza pessoalmente, mas pelas pessoas que capacita para realizar a missão.

O problema da liderança tradicional segundo Ferguson e Bird, muitos líderes foram treinados para responder às perguntas: Como posso fazer melhor? Como posso crescer? Como posso liderar mais pessoas? Essas perguntas levam naturalmente à centralização. Quanto mais competente o líder se torna, mais tarefas recebe. Quanto mais tarefas recebe, menos tempo dedica ao desenvolvimento de pessoas. Esse ciclo torna o líder indispensável.

Os autores mostram que Jesus nunca organizou Seu ministério para depender exclusivamente d’Ele. Pelo contrário. Desde o início: chamou discípulos; caminhou com eles; explicou seus ensinos; permitiu que participassem; enviou-os para ministrar; corrigiu seus erros; devolveu-lhes novas oportunidades. O ministério de Jesus foi, acima de tudo, um ministério de formação.

O capítulo propõe uma mudança profunda. O líder deixa de pensar: "Meu papel é fazer." E passa a pensar: "Meu papel é desenvolver pessoas que farão." Essa mudança redefine completamente a liderança.

 

Segundo os autores os formadores de heróis possuem algumas características:

Enxerga potencial antes de desempenho - Enquanto muitos líderes procuram pessoas prontas, o formador de heróis procura pessoas com potencial. Jesus chamou: pescadores; cobradores de impostos; zelotes. Nenhum deles parecia preparado. O diferencial era o potencial visto por Cristo. Na igreja, muitas pessoas não precisam apenas de treinamento; precisam de alguém que acredite nelas.

Investe intencionalmente - O desenvolvimento de líderes não acontece por acaso. Os autores enfatizam que é necessário reservar tempo para: conversar; ensinar; observar; corrigir; encorajar. O investimento relacional antecede o crescimento ministerial.

Compartilha responsabilidades - O líder-herói assume tudo. O formador de heróis distribui responsabilidades de forma planejada. Ele entende que cada tarefa pode se tornar uma oportunidade de aprendizado.

Aceita imperfeições - Esse é um dos argumentos mais fortes do capítulo. Quem deseja desenvolver líderes precisa aceitar que eles cometerão erros. Jesus fez exatamente isso. Os discípulos: discutiram entre si; demonstraram medo; fracassaram em missões; abandonaram Jesus na crucificação. Mesmo assim, Cristo continuou investindo neles.

Celebra o crescimento dos outros - O ego é um dos maiores obstáculos para a multiplicação. O formador de heróis alegra-se quando alguém: prega melhor; lidera melhor; organiza melhor; influencia mais. Seu objetivo não é permanecer como o mais admirado, mas preparar pessoas que sirvam com excelência.

O CICLO DO DESENVOLVIMENTO

            Embora o capítulo não apresente um método rígido, ele sugere um processo natural: Observar - O futuro líder acompanha. Participar - Começa a servir junto. Experimentar - Recebe pequenas responsabilidades. Liderar - Assume o ministério. Multiplicar - Passa a formar outros líderes. Essa dinâmica lembra o padrão encontrado nos Evangelhos.

OBSTÁCULOS PARA SE TORNAR UM FORMADOR DE HERÓIS

Os autores identificam barreiras frequentes:

Medo de perder controle - O líder acredita: "Se eu não fizer, ficará pior." Essa mentalidade impede o crescimento de novos líderes.

Busca por reconhecimento - Alguns líderes gostam de ser indispensáveis. Inconscientemente, evitam compartilhar espaço.

Pressa - Desenvolver pessoas exige tempo. É mais rápido executar uma tarefa sozinho do que ensinar alguém. Entretanto, o ganho de curto prazo compromete o legado de longo prazo.

Perfeccionismo - Esperar alguém estar completamente preparado antes de delegar normalmente impede qualquer delegação. Jesus enviou discípulos ainda em processo de aprendizagem.

PARA REFLEXÃO

Este capítulo desafia líderes a avaliar sua prática ministerial com perguntas como:

·         Quem são as pessoas nas quais estou investindo intencionalmente?

·         Estou disposto a permitir que outros aprendam por meio de tentativas e erros?

·         Minha liderança está crescendo em número apenas, ou também em capacidade de liderança?

"Liderando como Formador de Heróis" é um dos capítulos mais transformadores da obra porque desloca o foco da competência pessoal para o legado ministerial. Ferguson e Bird dialogam, ainda que de forma implícita, com o modelo de discipulado de Robert Coleman, com a visão de liderança servidora de John Stott e com a ênfase paulina em Efésios 4.11–16, onde os líderes são chamados a "aperfeiçoar os santos para a obra do ministério".

            Como ponto de equilíbrio, vale lembrar que a descentralização deve caminhar junto com discernimento, acompanhamento e responsabilidade doutrinária. Formar líderes não significa abrir mão da supervisão, mas exercer uma autoridade que capacita, corrige e envia. O capítulo reforça que o papel do líder não é ser o protagonista permanente da igreja, mas tornar-se um mentor que equipa outros para que toda a comunidade participe da missão de Cristo. Esse é o modelo que melhor reflete o ministério de Jesus e oferece um legado duradouro para a igreja.

sábado, 27 de junho de 2015

Pecados de autocontrole e autoconfiança

Rio de Janeiro, 21 de junho de 2015.

Pecados de autocontrole e autoconfiança


            Estamos chegando ao final de nosso estudo do livro “Retorno a Santidade”. Nossa última reflexão será sobre o tema “Pecados de Autocontrole e Autoconfiança”. O autor inicia seu texto conceituando dentro dos princípios Bíblicos “a carne” e o “morrer para si”.
            “A carne”, o autor de comum acordo com a interpretação Bíblica evangélica fala sobre andar com a mesma postura do homem terreno anterior a conversão a Cristo. Para balizar sua definição ele utiliza o texto de Paulo escrevendo aos Gálatas: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”. (Gl. 5-17-21)
            “O morrer para si,” ele também de acordo com a interpretação Bíblica evangélica fala sobre a decisão por andar com Cristo requer daquele a quem se decidiu uma renúncia de seu próprio “eu”. Para balizar seu conceito ele se utiliza do texto do evangelho de Mateus que Jesus diz: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á”. (Mt. 16.24-25)
            Lançado esses esclarecimentos o autor trata sobre a falha no processo de santificação dos cristãos modernos, nos orientando que esta falha é devido à, justamente, ao andar “na carne” que por sua vez é uma falta de “morrer para si” mesmo.
            Diz Frizzell: “Todos nós crentes enfrentamos situações em que devemos escolher a vontade de Deus e não a nossa (Isaías 55.8). Nossa carne e desejos naturais podem clamar por uma maneira de agir, porém, nós sabemos que Deus quer outra. Somente quando você escolhe negar a si mesmo, pela fé, obedecer a Deus, você conhecerá Seu poder. Mas não se desespere! Cristo, que habita em você, pode capacitá-lo para morrer para si mesmo!”
            Este pensamento do autor não nega a verdade de que andar com Cristo não é fácil. Na verdade haverá momentos na vida cristã que o negar a si mesmo e tomar a cruz será momento de grande dor. Pois estamos negando a nossa própria vontade, nossos próprios desejos, indo na contramão das paixões e desejos de nossa vontade. E, é evidente que não acharemos isso agradável. Todavia, é necessário para que Cristo, de fato, reine em nossas vidas.
            Se por acaso optarmos em fazer nossas vontades, não matando nosso “eu”, não resistindo às tentações, decidimos não matar nossa carne. O que acontecerá conosco? Simplesmente iremos sucumbir aos desejos da carne e não iremos conseguir viver a vida abundante que o Senhor nosso Deus deseja para cada um de nós.
            Precisamos nos quebrantar perante o Senhor e buscarmos sua presença, para que nossas vidas possam produzir frutos. Jesus disse que a semente precisa cair na terra e morrer, pois só assim ela dará frutos (Jo 12.24).
            Gregory faz um apontamento muito interessante sobre quebrantamento. Diz ele: “Então, como é que Deus quebra padrões velhos para liberar Sua vida em nós? O método principal de Deus é a convicção e a revelação do Espírito Santo através das Escrituras. Pela Palavra e pelo Espírito Santo, Deus abre os nossos olhos para maneiras sutis em que o “eu” ainda se agarra ao nosso ser (Hebreus 4.12). Embora esta convicção possa ser inicialmente dolorosa, Deus está fazendo isto para libertá-lo, não para condená-lo! Quando Deus abre seus olhos para as áreas não crucificadas de pecado e do “eu”, Ele o chama a imediatamente confessar seu pecado e a confiar totalmente o seu viver a Cristo. Seu milagroso poder da ressurreição brotará de seu reconhecido quebrantamento e rendição!”
            “Um segundo método de quebrantamento é através das circunstâncias da vida. Deus às vezes permite provações significativas para esgotar toda sua força humana natural (2 Coríntios 12.10). Você pode também ser atacado com grandes tentações que parecem muito mais fortes do que sua capacidade humana de resistir. Quando sua força natural é destruída, você é forçado a uma dependência mais profunda no Cristo vivo dentro de você. O próprio Jesus se torna sua força e sua justiça”.
            Minha sincera oração é que o Senhor quebrante nossos corações e nos dê o entendimento de que sem Ele nada podemos fazer. E, para estarmos cheios d’Ele precisamos estar vazios de “nós”.
            Certo de que em Cristo somos mais do que vencedores:

            Seu pastor, Roberto Meireles.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Resenha do Livro: "Andando com o tanque vazio" de Wayne Cordeiro

CORDEIRO, Wayne. Andando com o tanque vazio? Encha o tanque e renove sua paixão. São Paulo: Vida, 2011.

Roberto da Silva Meireles Rodrigues[1]

O autor da obra tem como finalidade abordar um assunto de extrema relevância para líderes religiosos. Ele parte de sua própria experiência e de uma pesquisa de campo realizada com os líderes que sofreram os mesmo sintomas apresentados por ele ao serem submetidos diariamente aos desafios que lhes são impostos por suas atribuições eclesiásticas.
            Wayne Cordeiro inicia sua obra falando sobre o período que foi abatido por uma doença chamada: Síndrome de Bournaut. A doença se dá devido a um excesso de atividades, falta de exercício físico e por uma forte gama de variações emocionais. O autor é pastor em uma mega igreja evangélica no Havaí, estando envolvido com a preparação e o treinamento de lideranças no âmbito cristão mundial.
            É extremamente interessante a narração do autor sobre o seu enfrentamento da doença. Na verdade, Cordeiro só dimensionou a gravidade da situação quando esteve diante de uma espécie de colapso, ocasião em que ele se viu sentado em uma calçada quando estava praticando esporte.
            Foi durante este momento difícil de sua vida que ele se deparou com um quadro que é muito preocupante em relação ao oficio pastoral. Pelo conteúdo de suas palavras, a impressão transmitida é que, a partir deste momento, seus olhos foram abertos para esta realidade da vocação pastoral.
Ele cita uma estatística feita nos Estados Unidos da América acerca do ministério pastoral. E a constatação desta estatística é no mínimo um alarme para os pastores. Ele diz que: 80% consideram que o ministério pastoral afeta suas famílias negativamente; 33% dizem que estar no ministério é claramente um risco para suas famílias; 75% relatam que já tiveram pelo menos uma vez alguma crise importante relacionada a estresse; 50% sentem-se incapazes de satisfazer as necessidades da função; 25% das esposas de pastor veem a agenda de trabalho do marido como uma fonte de conflito; os que estão no ministério têm a propensão a ver seu casamento acabar em divórcio na mesma proporção que os membros da igreja local; entre todas as profissões, o clero tem a segunda taxa mais alta de divórcio; 80% dos pastores dizem que não passam tempo suficiente com as esposas; 56% das esposas de pastores dizem que não têm amigos próximos; 45% das esposas de pastores dizem que o maior perigo para elas e sua família é o burnout físico, emocional, mental e espiritual; 52% dos pastores dizem que eles e suas esposas acreditam que estar no ministério pastoral é perigoso para o bem-estar e a saúde da família; 45,5% dos pastores dizem ter experimentado depressão ou burnout em um nível tal que precisaram tirar licença do ministério; 70% não têm alguém que considerem um amigo próximo (p. 32).
O autor relata um drama vivido por ele e também, acredito, que também seja experiência da grande maioria dos pastores. A expectativa em relação ao ministro é algo simplesmente impossível de ser satisfeito. Criou-se um mito sobre a figura do pastor que simplesmente requer-se do mesmo a perfeição. Não só deles, mas também de suas famílias. Fora criada uma espécie de figura de super-homem.
Ele conta como foi difícil para ele lidar com essa situação. Afinal de contas, o que iriam pensar dele? Será que seus liderados irão ainda lhe enxergar como um líder? Qual seria a reação das pessoas em relação à sua fraqueza e exposição?
Foi então que ele resolveu encarar a doença como deveria. Sua primeira atitude foi uma tentativa de se isolar na tentativa de obter um tempo para descanso e busca a Deus através de disciplina espirituais. Seu desejo era sair desse emaranhado de situações que nos envolvemos em nossos dia a dia.
É interessante a observação de Cordeiro acerca do que ele chama de “prima maligna” do burnout, a depressão. Ao trabalhar esta questão ele faz uma verdadeira lista de personalidades que tiveram problemas com depressão e conseguiram vence-la através da graça de Deus. Neste momento, o pastor se utiliza da perspectiva paulina de que o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza. Ele fundamenta essa questão com o fato destas grandes “personalidades”, mesmo em meio às suas fraquezas, se lançarem nas mãos de Deus e se tornarem pessoas que foram usadas pelo Altíssimo para fazer uma grande diferença no momento histórico em que estavam inseridos.
O autor irá dedicar uma boa parte da sua obra para comentar sobre os perigos da depressão e como identifica-la. A depressão é considerada por muitos estudiosos como a doença do século. Cordeiro também realiza apontamentos sobre possíveis fatores que concorrem para a culminação da depressão. Interessante é que o autor não só aponta o problema, mas também aponta soluções para o mesmo.
Nos capítulos finais do livro ele se apropria de sua experiência pessoal e aponta para possíveis resoluções que possam nos ajudar em nossas atribuições e vida cotidiana. Ele aponta ferramentas que foram desenvolvidas por ele em sua vida que a deixaram mais “leve”.
Trata-se de um excelente livro. Sua linguagem é simples e clara. Uma boa dica para a quebra de paradigmas sobre a questão do cristão não poder adoecer emocionalmente, e também um voz que soa como trombeta para alertar sobre a necessidade de cuidados pessoais de todo aquele que exerce liderança, seja ela em que âmbito for.       
Em minha singela opinião uma leitura importantíssima para todo líder cristão. Que Deus nos ajude a desenvolvermos uma espiritualidade sadia.



[1] Pastor-Presidente da Primeira Igreja Batista de Rocha Miranda, Rio de Janeiro. Mestrando em Ministérios Globais pelo Seminário Teológico Betel, Rio de Janeiro, e graduado em Teologia pela mesma instituição. Professor do Seminário Teológico Evangélico Peniel, Rio de Janeiro.

sábado, 5 de abril de 2014

Resenha - Livro: "Pode ou não pode?" - Autor: Henrique Araújo


ARÚJO, Henrique Ribeiro de. Pode ou Não pode? Assumindo o compromisso de pensar mais profundamente. Rio de Janeiro: 3D Editora, 2014. 1ª Edição.


            Antes deter-me no conteúdo da obra é de extrema relevância a apresentação do autor da mesma. Henrique Ribeiro de Araújo é pastor Batista, graduado em teologia pelo Seminário Teológico Betel no Rio de Janeiro, Mestre pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, Mestre em Ministérios Globais pelo Seminário Teológico Betel, Bacharel e licenciado em Letras: Português-Grego pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, PhD em Teologia pelo Trinity Theological Seminary anda College of the Bible. Leciona na área de teologia contemporânea no Seminário Teológico Betel. Pastoreou a Gemeinde Mission Von Bietigheim, na Alemanha, Primeira Igreja Batista em Poxoréo, Mato Grosso e Segunda Igreja Batista na Vila do João, Rio de Janeiro. É autor das seguintes obras: “No Oceano do Espírito”; “Mensagens de Avivamento”; “Tabernáculo de Davi: Igreja viva e adoradora”; “Abusos teológicos contemporâneos e; Gente como a Gente”. É filiado a Sociedade Internacional Bonhoeffer. Casado com a matogrossense Sarah Araújo, Bacharel em Fisioterapia pela Faculdade de Reabilitação e Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Betel.
            O tratado escrito pelo doutor Henrique tem como principal objetivo nortear, balizar, a igreja evangélica acerca de princípios Bíblicos teológicos que devem servir de pressuposto para nortear a caminhada cristã. É emitido pela pena do autor o desejo ardente de extrair da concepção evangélica a forma educacional cristã do “pode e não pode”. O desejo ardentemente emanado das linhas na obra é levar a igreja brasileira a refletir sobre suas posições e considerações sobre temas específicos.
            A obra é divida em seis capítulos. Sendo que estes não possuem uma amarração fundamental para o entendimento do capítulo seqüente. Ou seja, o leitor pode exaurir o conteúdo de cada livro fora de sua ordem publicada se assim o desejar, a alteração da ordem em nada irá afetar o entendimento dos textos.
            Araújo como bom “Isacaariano”[1] parte sempre do pressuposto Bíblico para a construção de seu pensamento. E, por este motivo sua obra é recheada de versículos Bíblicos. Sua formação em letras: português-grego o propicia a realizar apontamentos exegéticos de extrema riqueza.
            O autor trata sobre a influência recebida da igreja evangélica brasileira por seus primeiros líderes. E, esta influência contribui de forma intensa para a questão do “pode ou não pode”. Sua tese é que a escola destes primeiros líderes eram escolas regidas por cartilhas de respostas objetivas e dogmáticas.
Também trata sobre a questão da influência da pós-modernidade sobre a relativização, a geração dos “ismos”, e como a falta de pessoas que possam ser mestres para esta geração, pessoas que tenham a mente de Cristo, pessoas que possam ser referências da junção: mente e coração, espiritualidade e intelecto. Ao jungir todas estas coisas, temos o plano de fundo que contribuíram para o cenário epocal evangelical.
            Ao finda sua obra Henrique aponta a luz no fim do túnel. Apropriando-se dos princípios dialéticos encontrados em Martinho Lutero na sua construção teológica. Os paradoxos são possíveis caminhos para se encontrar respostas que antes pareciam não existir. Termina sua obra falando sobre a importância de podemos contar com homens cheios do Espírito Santo que dediquem sua vida a discipular outros homens e aos fazerem crescer no conhecimento da verdade.
            A obra em questão é de extrema relevância para a igreja evangélica brasileira. Urge que a obra possa ser objeto de deleite da igreja, de modo que a mesma possa nutrir-se e encontrar na pena deste “isacaariano” contemporâneo uma possibilidade de uma espiritualidade mais salutar.

           





[1] Isacaariano – Na concepção do doutor Henrique são homens que são capazes de ler o seu tempo e por terem um grande discernimento, conseguem realizar um viés oportuno para sua geração. O mesmo se utiliza do texto de primeiro livro de Crônicas no capítulo doze, verso de número trinta e dois para extrair este conceito. 

sábado, 22 de março de 2014

Resumo do Livro: "A Gênese da predestinação da história da teologia cristã" - Autor Thiago Titillo

TITILLO, Thiago Veloso. A Gênese da predestinação da história da teologia cristã: uma análise Bíblica do pensamento Agostiniano sobre o pecado e graça. São Paulo: Fonte Editorial, 2014.


            Antes de entrarmos propriamente no conteúdo da obra, vale apresentar o autor da mesma e sua formação acadêmica. O Pr. Thiago Velozo Titillo é pastor Batista, membro da PIB em Botafogo, onde atua auxiliando o pastor Márcio (pastor titular) nos ministérios de educação cristã e casais. É casado com Daniellly Titillo e pai de uma linda princesa chamada Yasmim. O mesmo é bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Betel no Rio de Janeiro, Licenciado em Letras pela Universidade Estácio de Sá e também pós-graduando em Teologia Bíblica e Sistemática-Pastoral pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro. É professor na Faculdade de Teologia de Wintteberg, da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, e do Colégio Souza Marques.
            O tratado realizado por Titillo é fruto de sua monografia no curso de bacharel em teologia no Seminário Teológico Betel. A presente obra trata de um profundo desejo do seu autor em relação à sua posição teológica acerca da sotereologia. O mesmo fora defensor da doutrina cunhada por Agostinho e defendida pelos principais expositores da reforma protestante, doutrina essa que ficou conhecida como “calvinismo”.
            A pesquisa realizada pelo autor, fez com que o mesmo mudasse sua opinião acerca de sua posição sobre o assunto. Sua pesquisa teve como metodologia avaliar a evolução do pensamento teológico de Agostinho de Hipona, o conhecido teólogo africano, haja vista que suas pressuposições teológicas foram bases para a construção do pensamento dos principais nomes da reforma: Martinho Lutero e João Calvino.
            Thiago inicia sua obra conceituando os termos chaves de sua pesquisa: predestinação e livre-arbítrio. Titillo utilizou-se de uma grande carga filosófica para elucidação dos termos chaves, deixando seu leitor clarificado quanto às devidas diferenças entre os termos e suas mais diversas ramificações.
            Após, apontou os conceitos de pecado e graça sobre o prisma da teologia evangélica conservadora. Dadas as explicações sobre os conceitos de pecado e graça, ele parte para elucidar os termos clássicos que diferenciam as duas cosmovisões sotereológicas: monergismo e sinergismo. Lançados esses alicerces, pois sem estes não seria possível a compreensão das explicações dos sistemas teológicos: pelagianismo, agostianismo e semipelagianismo.
            Realizado as explicações inicias dos termos chaves, dos conceitos teológicos acerca da graça e pecado, e também dos sistemas teológicos, Thiago se engaja em examinar a construção do pensamento de Agostinho acerca do pecado e da graça. Para isso, ele analisa as três controvérsias em que o bispo de Hipona se lança ao embate. São elas: a controvérsia maniqueísta, a controversa donatista e a controvérsia pelagiana.
            Ao analisar os documentos escritos pelo próprio Agostinho, o autor da obra chega à conclusão de que o famoso bispo mudou sua concepção acerca dos conceitos estudados. E, essa mudança, se deu pelo fato das controvérsias que Agostinho teve que se lançar para defender os pressupostos cristãos.
            Na controvérsia maniqueísta Agostinho se lançou a combater do dualismo cósmico defendido por esta seita gnóstica. Já na controvérsia donatista o monge teve que tentar apaziguar o cisma que a igreja estava sofrendo, o mesmo fora eleito pela liderança de sua igreja a ser o principal defensor da verdadeira fé cristã. Todavia, chega a um determinado tempo em que os argumentos de Agostinho se esvaem e ele decide agir de forma arbitrária para inibir a facção que surge no seio da igreja. Para isso constrói sua teologia sobre a posição do Estado como o braço de Deus junto à igreja para cristianizar a população. Sem falar que fora nessa controvérsia que ele cunhou a sua concepção da regeneração através do batismo (se ele cunhou antes, pelo menos ele desenvolveu melhor a doutrina dos sacramentos em meio à disputa com os donatistas). Por último, enfrentou o herege Pelágio com suas teses sobre a possibilidade do homem se justificar diante de Deus e com a possibilidade de viver sem pecado, sem o auxílio da graça para tal feito. Essas controvérsias, na concepção do autor, foram essenciais para a construção da doutrina determinista de Agostinho.
            O monge ponderou acerca das questões: se o Estado e a Igreja podem determinar que as pessoas se convertessem ao cristianismo, logo não a nada de errado em Deus determinar quem possa ou não ser salvo, o que é um grande passo para cunhar sua concepção da graça irresistível. Na questão pelagiana, Agostinho constrói seu pensamento acerca do pecado original (depravação total do homem), constrói o pensamento da necessidade da graça para a salvação do homem, o que fora encontrado nos pais da igreja, não da forma extremista que foi adotada pelo bispo hiponense.
            Nos capítulos finais Titillo analisa o pensamento destas doutrinas nos principais pais da igreja do ocidente e do oriente. São eles, da igreja oriental: Justino, Irineu e Orígines. Da igreja ocidental: Tertuliano, Cipriano e Ambrósio. E chega à conclusão de que a concepção cunhada por Agostinho não era encontrada em seus antecessores.
            Realizado os apontamentos dos pais. Thiago se lança em examinar os cânones dos sínodos, enfatizando o Concílio de Éfeso (431) e o Sínodo de Orange (529). Após uma análise meticulosa dos mesmos, a conclusão do autor é a mesma: não há uma defesa do pensamento determinista-agostiniano nos documentos cunhados nestes eventos específicos.
            O autor conclui sua obra testificando por fontes históricas que Agostinho mudou sua concepção sobre o pecado e a graça, sendo extremamente influenciado pelas controvérsias nas quais se engajou. Thiago aproveita também para refutar alguns teólogos calvinistas que citam a doutrina como pré-agostiniana.
            Endosso a obra em questão com louvor por suas fontes bibliográficas, pela metodologia utilizada pelo autor para a conclusão de sua tese e também pelo extremo zelo cientifico do autor ao examinar os anais históricos com vistas à construção de uma cosmovisão Bíblica-Teológica-Histórica do assunto supracitado. A leitura da obra do Pr. Thiago Titillo é de extrema importância e relevância aos acadêmicos no campo da teologia. Sem dúvidas, uma grande contribuição para a igreja evangélica brasileira. Termino congratulando o autor por sua excelente obra.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Resenha do Livro - "Teologia da Simplicidade" - Autor: Pr. Márcio Duran


DURAN, Márcio Silva. Teologia da Simplicidade. Rio de Janeiro: MK Ed. 2007. 136p.



             A obra em questão é de autoria do Pr. Márcio Duran Silva. O autor, possuí em seu currículo acadêmico os seguintes parâmetros: Formado em Teologia pelo Seminário Teológico Betel, formado em economia pela UERJ, Pós-Graduado em Administração de Empresas e Gestão de Negócios pela FGV, e mestrado pelo Seminário Teológico Betel em Ministérios Globais.
A literatura que analisamos é fruto de sua tese de mestrado, no curso de pós-estudos, oferecido pelo Seminário Teológico Betel no Rio de Janeiro, a temática da especialização é ministérios globais.
            Duran inicia seu livro fazendo uma breve introdução acerca de todo extenso conteúdo que será trabalhado pela sua pessoa em tal obra. A introdução ao tema proposto já nos gera grande entusiasmo em nos aprofundarmos na temática a ser tratada, exaurindo, lendo, e, examinado os textos. Mas, também, em experimentarmos de forma prática um estilo de vida simples em nosso cotidiano.
            O primeiro capítulo do livro o autor traça um panorama da real situação do país em que vivemos. Não somente do nosso país, mais também de todo o mundo. Sua formação no campo das ciências econômicas, o capacita para uma concatenação bela acerca dos dados estatísticos e suas implicações no desenvolvimento social.
            Sua percepção econômica o faz vislumbrar coisas que até então para nós “leigos”, são aparentemente ocultas, e de grande dificuldade de entendimento. Jungido a este pressuposto. O mesmo faz uma análise da sociedade no que diz respeito à política neoliberal conjugada com o capitalismo, conforme dito pelos Titãs: “capitalismo selvagem”. E, como, estes fatores estão tornando cada vez mais acirrada a desigualdade social em o nosso país.
            Márcio após ter explanado as pressuposições sociais e econômicas. Como todo bom cristão bíblico ortodoxo, se volta para a Bíblia. Haja vista que é impossível a construção do pensamento teológico de outro ponto de partida a não ser a Bíblia. E tendo a Bíblia como pressuposto para sua construção paradigmática. Encontra na mesma resposta de Deus ao povo, com o ano do Jubileu. O ano do jubileu consistia na repartição de terras. Era uma espécie de reforma agrária naqueles dias. O intuito do Senhor nosso Deus era não deixar que ficasse em poucas mãos o poderio econômico gerando desigualdades sociais, e por consequência: fome, miséria, escravidão, etc.
            Como possível saída para este cenário tão conturbado e nebuloso apresentado acima o mesmo um estilo de vida mais simples. Mais parecido com a vivência Neotestamentária de Jesus e os apóstolos. Em nosso humilde entendimento parece-nos que sua proposta perpassa em: o rico, ter em sua vida a concepção inserida no padrão perdoador de dívida contida no ano do jubileu, dividindo o poder financeiro concentrado em suas mãos. E o pobre, após se livrar de tal escravidão. Viver de forma simples de acordo com suas posses e bens, para que não caia de novo no mesmo engodo maldito do ciclo mórbido gerado por uma política dirigida pela economia.
            Sua cosmovisão acerca da temática tratada é encontrar no estilo de vida simples o padrão Bíblico como uma possível saída para tal quadro situacional encontrado em o nosso país e no mundo.
            No segundo capítulo o autor narra à construção histórica sobre o pressuposto levantado pelo mesmo acerca da temática vida simples. O mesmo aponta o congresso de Lausanne I como o despertar para a questão. E pontua de forma sistémica tanto o seu conteúdo, como a história da discrição do congresso, o Congresso Internacional de Vida Simples.
            No conteúdo do tema tratado no congresso existe uma forte ênfase nos seguintes assuntos: Deus está ao lado dos pobres, a espiritualização dos textos que tratam do assunto pobreza e apontamentos para a construção de uma vida mais simples, de famílias mais simples, igrejas mais simples e por consequência disso, sociedade mais simples e com uma sensibilidade maior na ajuda ao pobre.
            No terceiro capítulo do livro o autor vai tratar de como a construção de uma vida simples deve-se de fato, ser aplicada em uma contribuição a uma sociedade mais igualitária, no que diz respeito à economia, lazer, etc. Márcio vai apontar a junção entre a evangelização e a contribuição social, como um padrão Bíblico. Na verdade, não diretamente Márcio irá apontar este fato, mas sim, o consenso de pensadores no congresso supracitado pelo autor em seu livro.
            O mesmo narra a dificuldade existente para jungir estas duas esferas da vida cristã: a evangelização e o bem estar social comunitário. As junções destes dois fatores proporcionam, a cosmovisão de se enxergar o homem em um ser totêmico, ou seja; integral. Aqui de fato o autor se posiciona contra a questão soterológica da teologia da libertação e defende que não somente deve ser evidenciada a construção de um bem estar social, mas é necessário que o homem pecador encontre em Cristo Jesus salvação para sua vida.
            O capítulo 4 leva propriamente dito o título do livro. Duran traça as três teologias que são tratadas e exauridas ao longo de toda a sua obra e faz um paralelo ao pensamento Karl Barth e Lutero de que teologia deve desencadear na práxis. Tendo feito isso discorre sobre como as mesmas; teologia da libertação, teologia da prosperidade e a teologia da simplicidade, são de fato não só construção acadêmica, mas são desdobradas na práxis do dia a dia.
            O autor tenta conceituar simplicidade. Mas pelo que entendemos não consegue de fato chegar a uma definição sistemática. Haja vista como sistematizar uma coisa que é tão profunda e ao mesmo tempo tão pratica, como sistematizar uma coisa que é tão simples, e ao mesmo templo complexa? É um paradoxo que se explica pelo mesmo. Pelo menos, o leitor pesquisador teve esta impressão ao examinar o texto.
            Duran cita o excelente livro: Celebração da simplicidade, escrito pelo ilustre Richar Foster. Conforme anteriormente falamos, Foster vai se utilizar da construção paradoxal para tentar a construção de uma possível tentativa de elucidação do que na verdade é teologia da simplicidade.
            Foster vai dizer que a verdadeira simplicidade ela emerge de dentro para fora. Ela é interior, depois de ser exterior. Ela não é meramente uma mudança de vestuário, ou alguma outra coisa parecida. Mas é de fato fruto de uma verdadeira mudança de interior.
            O mesmo termina traçando uma crítica a teologia da prosperidade que não possuí respaldo nenhum bíblico para poder de fato ser considerada como uma teologia. É assim chamada como um apelido. Essa malfadada teologia é um engodo para todo e qualquer cristão genuíno. Depois de dito isso, o autor aponta para a pessoa de Jesus como resposta de simplicidade ao mundo carente e necessitado de sua ajuda.
            Pastor Márcio agora se volta para a história da igreja onde encontra grandes heróis da igreja tais como: São Francisco de Assis, George Muller e Madre Teresa de Calcutá. E se utiliza da vida destes grandes homens para também ajudar alicerçar a construção do pensamento acerca da teologia da simplicidade.

Conclusão:
            É um prazer poder reler uma tão excelente obra. Um das matérias que em nosso tempo de seminarista mais mexeram com o meu coração e mente. Lembro-me que na ocasião que tomamos conhecimento do Pr. Márcio Duran e de sua construção teológica. Fomos agraciados pelo senhor para a construção de um texto chamado: “teologia do jumentinho”, onde de fato queríamos enfatizar que Jesus é o nosso Rei, o dono de fato de nossas vidas.
            Nosso intuito fora mostrar a identificação que temos com o jumentinho. Um jumentinho sem guia, não sai do lugar. Um jumentinho sem guia não tem vontade. Um jumentinho sem guia, não sabe o que fazer. Que possamos ser como um jumentinho em que Jesus montou e foi glorificado ao entrar na cidade santa.
Minha oração é que Ele conduza de fato as nossas vidas a uma vida de simplicidade. Construída não de forma exterior, mas de forma interior.
            

sexta-feira, 30 de março de 2012

Liderança Corajosa - Resenha (em construção)


RESENHA CRÍTICA:

HYBELS, Bill. Liderança Corajosa. São Paulo: Vida, 2002. Págs. 255.

O autor propõem-se a tratar do assunto liderança. Seu interesse pelo tema é derivado do assunto proposto não ser algo teórico, abstrato em sua vida, mas sim empírico e fruto de uma construção com alicerces com profundo arcabouço acadêmico. Ao longo de trinta anos o referido autor ocupa o cargo de Pastor Sênior em uma das comunidades cristãs que mais crescem em números de adeptos e também relevância social, comunidade esta chamada chamada de Willow Creek Church. Seu tempo de exercício da função e sua especialização no tema, lhe concedem autoridade para sua construção literária.
Bill parte do pressuposto que a semelhança do meio secular, onde as pessoas se especializam cada vez mais em busca da realização de uma profissão com excelência. Assim também, os líderes eclesiásticos, podem render muito mais, se compreenderem melhor qual o seu papel para a vitalidade de uma igreja local. E, é claro, sua visão não se limita a igreja local, sua proposta é que a liderança em comunidades cristãs através da igreja local, sejam por consequência inevitável, uma salutar proposta da expansão do Reino de Deus.
No decorrer de suas palavras nos torna evidente o seu entendimento de que somente a igreja local têm poder para mudar a realidade do mundo. Hybells não quer afirmar com essa frase o entendimento de que o poder de mudar as pessoas está na igreja instituição. Pelo contrário, esta afirmação, parte do princípio de que somente através da pessoa de Jesus Cristo, o mundo pode alcançar o poder redentor e regenerador que há em Cristo Jesus. E quem é portadora desta mensagem que transforma vidas é a igreja de Jesus Cristo, que é responsável em continuar a sua obra.
Seu desafio é despertar nos líderes eclesiásticos a importância deles na vida da igreja, para que a mesma cumpra a sua missão, que é de transformar pessoas que é a mensagem central do evangelho de Jesus.
Logo no início de sua obra ele começa a se indagar a cerca do que pode ou não, fazer com que uma igreja local possa ser relevante no cumprimento de sua missão, conforme acima descrevemos. Ele então relata suas pesquisas de campo, e declara sua conclusão sobre sua indagação. Diz ele:
“Então aqui está: o que igrejas frutificam possuem em comum é que são lideradas por pessoas que possuem e desenvolvem o dom espiritual de liderança. Sempre e em todos os lugares onde se encontrava igrejas estimulantes e vencedoras, a exemplo de Atos 2, também descobria um pequeno grupo de irmãos e irmãs que, de forma humilde e devotada, forneciam a visão estratégica e a inspiração que possibilitavam que toda congregação frutificasse abundantemente. Por favor, compreenda, não é que eu acredite o dom de liderança seja mais importante que os outros dons. É que, simplesmente, aquelas pessoas com o dom de liderança são excepcionalmente equipadas para criar estratégias e estruturas, que propiciarão oportunidades para que outras pessoas usem seus dons com a máxima eficiência. Líderes possuem uma visão global e compreendem como ajudar os outros a encontrar utilidade neste contexto.1
Na pesquisa realizada pelo autor, o mesmo detectou que as igrejas que seus membros possuíam o dom de liderança e que desenvolviam o mesmo em prol do fortalecimento e crescimento da igreja, estas igrejas conseguiam cumprir sua missão de uma forma mais holística e concatenada.
E sua concepção é que Deus se utiliza destes líderes para derramar em seus corações a “visão”2. Isso significa qual é o plano de Deus para aquela igreja local. Querendo fundamentar seu pensamento. Ele faz citações de diversos líderes na história Bíblica e da história geral, que se tornam exemplos de como Deus derrama sua visão. Alguns exemplos citados são: Martinho Lutero, João Calvino, William Willberfoce, Rev. Martin Luther King, John Adams, Billy Graham, etc.
Na concepção de Bill a “visão” é derramada da pessoa de Deus no líder, quando este se compromete em um profundo relacionamento com Deus. Buscando ser esclarecido por Deus na indagação: “Qual é o seu plano para a minha igreja?” O que podemos entender deste pensamento de Hybells é quem dá a “visão”, ou seja a diretriz é o Senhor Jesus.
O autor com toda maestria e domínio do assunto tratado, vai discorrer a cerca das metodologias de aplicabilidade da mesma na igreja local. O mesmo vai conceituar, diferenciar e de forma brilhante direcionar como fazer a mesma ter o alcance desejado na vida da igreja.

1 HYBELS, Bill. Liderança Corajosa. São Paulo: Vida, 2002. Pág. 25.
2 Na concepção de Hybells visão é: “uma imagem do futuro que produz paixão”. Ou seja, é o alvo para onde um líder guia a sua igreja a alcançar.

Uma igreja que vive a plenitude da comunhão cristã - Atos 2:42-47

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2026. Projeto Bíblia – Estudo do livro de Atos dos Apóstolos Tema da Mensagem - Uma igreja que vive a...