quinta-feira, 12 de junho de 2008

Obedecer, sendo desobediente!

“Obedecer, sendo desobediente!”


“Fiz muitas coisas em minha vida que atrapalharam os grandes alvos que eu tinha estabelecido – e algo sempre me trouxe de volta ao verdadeiro caminho.”
( Alexander Solzhenitsyn – A vocação espiritual do Pastor – Ed. Textus )

Tive um sonho! Um sonho muito bonito aos meus olhos por sinal!
No sonho me encontrava já consagrado ao ministério pastoral, e o exercendo em uma destas “Igrejas dos sonhos”. Uma destas igrejas que todo pastor sonha um dia pastorear, no sonho me encontrava no púlpito, tendo a visão de uma multidão na congregação que ouvia atentamente o sermão por mim ministrado.
Mas logo acordei, e então tive que cair na realidade!
Isso ficou em minha mente durante toda semana, foi então que lembrei de um livro que há dois anos atrás eu tinha lido, e pelo visto estava na hora de novamente consultá-lo.
Então o peguei, mas não tive tempo para dar uma olhada nele, então fui para o trabalho como é de costume, e após o trabalho fui ao seminário.
Esse ocorrido se deu em uma segunda-feira. Neste dia tivemos aula com o Pr. Álvaro Trindade ( Análise do Velho Testamento ), ele estava ministrando sobre II Reis 5, a cura de Naamã.
Foi quando ele disse: “O profeta Eliseu mandou Naamã ao Jordão, para que as pessoas o vissem da maneira que realmente ele estava por dentro, para ele mostrar o que estava debaixo de toda aquela armadura pomposa, mostrar-se realmente como ele era PODRE! ”
Foi quando ouvi ecoar em meus ouvidos, volte, volte, volte....
Na volta do seminário peguei o livro para ler, o nome do livro do que vos falo é, A vocação espiritual do pastor ( Eugene Peterson ), o livro é baseado na vida do profeta Jonas.
Rev Eugene Peterson neste livro fala sobre como nós nos parecemos com Jonas, mesmo tendo o Senhor nos chamado para Nínive, nós queremos ir para Társis.
Deixe me explicar qual o significado destas duas cidades naquele contexto. Társis era uma cidade linda, cobiçada pelo seu comércio e beleza, sua cultura no mundo antigo era influente, uma cidade cobiçada por muitos, todos tinham vontade de morar em um lugar como aquele!
Já Nínive, era uma cidade sem muita atração, seus moradores eram homens violentos, não era uma cidade modelo, não era o sonho de nenhum de seus contemporâneos, sem falar que os Ninivitas e os Israelitas eram inimigos declarados.
Mas o porquê o autor faz um paralelo conosco? Porque nós hoje iríamos querer ir a tal lugar? Porque o autor pensa isso fazendo um link com ele e conosco?
O paralelo conosco se dá porque o homem não mudou, continuamos a sermos seres caídos e depravados, a aparência para nós ainda é muito atraente, sonhamos ainda com megas estruturas, com megas eventos, com igrejas perfeitas. Por isso o paralelo! Por isso afirmamos que o desejo é o mesmo, por isso afirmamos que nada mudou!
Nós iríamos desejar Társis porque queremos ser reconhecidos, queremos mostrar o nosso trabalho, queremos que nossas igrejas reconheçam nossos dons, nossos escritos, nossas mensagens, nossos estudos, isso espiritualmente falando.
Iríamos para Társis porque nossa renda aumentaria, trocaríamos de carro, de casa, de status socias, de cultura e também de lazer, como nos parecemos não é mesmo.
E por último o autor pensa nisso, pois ele não é diferente de nós, como também ele não é diferente de Jonas.
Voltemos a Nínive lá é o nosso lugar, voltemos as nossas igrejas imperfeitas, voltemos a Nínive mesmo que isso signifique desobedecer a nossa consciência, que nos implora por Társis, voltemos a Nínive, mesmo que isso signifique contrariar nossa aparente inteligência, voltemos ao nosso chamado, mesmo que isso signifique para nós que não há glória em nossa vocação, mas em tudo isso teremos a certeza de que a vontade de Deus sempre é o melhor lugar para se estar.

Nele, ao qual me chamou pela sua Graça, para pastorear os imperfeitos como eu:
Roberto Meireles.

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