Rio de Janeiro, 07 de Abril de 2012.
Local – Acampamento dos Adolescentes da Igreja Batista do Calvário.
Tema – Uma indagação, para revelar a posição!
Texto – Mateus 16,13-19.
Uma indagação, para revelar a posição!
Como sou obediente aos meus pastores. Seguirei arisca o tema
proposto pelo Heitor Pires. Sendo assim nossa reflexão se dará
sobre: “Sendo eu uma igreja. Eu preciso de reforma ou
regeneração?”. O texto proposto como base é I Pe 2.9 que diz:
“Vocês,
porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo
exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz.”
Para
clarificar nossa meditação. Tentaremos conceituar os dois termos
chaves de nossa reflexão, regeneração e reforma. Vamos o que o diz
o dicionário Aurélio sobre:
Regeneração
- “Regenerar” - “Tornar
a gerar, reproduzir (o que estava destruído). Corrigir moralmente.
Formar-se de novo. Emendar-se, corrigir-se, reformar-se.”1
Reforma
– “Ato
ou efeito de reformar(-se). Mudança, modificação. Aposentadoria
militar.”2
Agora precisamos entender o que estes termos querem dizer acerca da
cosmovisão teológica.
Regeneração - “Berkhof define regeneração como “o ato de
Deus pelo qual o princípio de nova vida é implantado no homem, e a
disposição dominante da alma é tornada santa, e o primeiro
exercício santo desta nova disposição é assegurado”. A Bíblia
emprega diferentes termos para falar de regeneração: novo
nascimento, ressurreição ou vivificação, nova criação ou novo
coração ou mente.”3
Reforma – No meu mero entendimento teológico a palavra reforma se
aplica no processo de santificação. Processo que estartado a contar
do momento em que somos regenerados pelo nosso Deus. Deste momento em
diante precisamos constantemente ser reformados pela ação do
Espírito Santo para continuarmos outro processo, o de perseverança
na fé.
Dentro do processo de santificação podemos encontrar três
momentos que podem ser essenciais para que possamos experimentar
sempre em nossas vidas atuação renovadora, reformadora do Santo
Espírito. São eles: A santificação, o avivamento e a vivência de
uma espiritualidade sadia. Vamos analisar separadamente cada uma
destas pontuações.
1ª Pontuação – A santificação.
Berkhof define santificação como
“a graciosa e contínua operação do Espírito Santo
pela qual o liberta o pecador justificado da corrupção do pecado,
renova toda a sua natureza à imagem de Deus, e o capacita para
praticar as boas obras.”4
Dr.Shedd elucida o processo de santificação de modo muito
elucidativo. Ele sistematiza o seu pensamento da seguinte maneria:
- O caminho da Santificação – A santificação é um caminho que nós não podemos fazê-lo baseando-se em nossas próprias forças. Uma das doutrinas que conhecemos e é sempre bem difundida em nossos púlpitos é a doutrina da corrupção humana. Ou seja, o homem por si só é mal, isso se dá de fato, desde a queda do Éden. Só conseguimos ter um caminho de santificação quando nos achegamos a pessoa de Jesus. Pois Ele é o Santo. É em nossa relação com Ele que encontramos forças para seguirmos o processo de sermos mais parecidos com Ele que é o modelo supremo e absoluto. Para isso entretanto é ncessário que tenhamos plena consciência de que não podemos fazer nada para sermos mais parecidos com Deus. Jesus disse isso quando expressou de fato essa verdade Bíblica. "Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. (João 15.5)” É por este motivo que devemos deixar que o Espírito Santo haja em nós e través de nós, de modo que sejamos dirigidos por Ele, e se formos assim dirigidos por Ele, estaremos sendo guiados por Ele para toda boa obra. E por este motivo que Paulo vai dizer: “Enchei-vos do Espírito Santo”. (Ef. 5.18).
- Sinais da consagração – Sua relação com o mundo e com a sociedade. Em um determinado momento na história do Cristianismo alguns homens e mulheres se separam em mosteiros realizando inúmeras regras tais como: jejuns, orações em um intervalo de tempo curto, silêncio para meditação, etc. Porém, o evangelho, ou melhor me expressando, a luz do evangelho brilhando em nós não deve se esconder das trevas e da escuridão existentes no mundo. (Mt. 5.13-16). O erro daqueles homens e mulheres foram achar que podiam ser mais santos longe do mundo. Porém o evangelho é para ser vivido no mundo. Jesus o único que não pecou andando sobre esta terra. Foi amigo das prostitutas, publicanos, pecadores, ladrões, nosso Mestre a ninguém descriminou. Porém, não sofreu influência alguma deles. Ele foi o agente de influenciação no mundo. E nós como cristãos devemos ser agentes de influências no mundo em que estamos inseridos. Para isso devemos estar constantemente em oração. Suplicando a Deus, chorando aos seus pés, clamando com todas as nossas forças sem se importar com o que de fato pensam de nós (lembre-se de Ana mãe de Samuel), intercedendo pelas nossas vidas e pelo próximo, ou seja, deixando de ser pacíficos no que diz respeito a disciplina espiritual da oração. Se assim agirmos de fato estaremos compreendo o significado de cooperadores de Deus descrito pelo apóstolo Paulo (I Co. 3.9). Somente através da oração podemos vencer a luta, contra as hostes espirituais, contra a nossa carne e contra o presente século.
- Santificação e a Palavra de Deus – A busca de Deus através de Sua Palavra não deve ser algo enfadonho, realizado por mera disciplina religiosa, pois se assim for tenderá ao fracasso. Nós não meditamos na Palavra de Deus para conhecermos mais, somente dela (Bíblia). Mas nossa busca e mergulho nas profundezas da Palavra, nos deve levar também ao mergulho nas profundezas de Deus. Ouvir sua voz, entender o que é realmente o desejo de seu coração, ter na Palavra anseio para conhecermos melhor ao nosso Amado e desejado de nossa alma, o Senhor Jesus Cristo. A Palavra por si mesma nos confrontará em nossos erros, pecados, e assim nos constrangerá através do Espírito santo a termos uma posição mediante a este fato. Se de fato nós nos tornarmos leitores de coração de Santo livro, ele transformará as nossas vidas e por consequência a nossa nação.
- A santificação e o testemunho pessoal – A semelhança de nossa reflexão a cerca do cristão está inserido no mundo para o iluminar, para o salgar, para transmitir a fragrância de Jesus. De modo automático a luz que está no cristão irá iluminar, o gosto de sua presença irá salgar, ou seja temperar a notória de diferente fragrância do seu viver irá preencher todo o ambiente em que o mesmo está. O que quero dizer é que será automático o testemunho pessoal da pessoa de Jesus em todo aquele que é nascido de novo e está em um processo de constante comunhão com o Pai. Não existe a possibilidade de separação entre estas duas realidades. A santificação e a evangelização pessoal, o testemunho público da fé.
- A disciplina na Santidade - Precisamos entender que a disciplina é valida e eficiente quando não tratada de forma legalista nem por obrigatoriedade. Sermos disciplinados nos ajuda a alcançarmos mais os nossos alvos, metas e objetivos pessoais. Nós nos padronizarmos, organizarmos, estipularmos alvos, não significa que estamos religiosos ou legalistas. Mas significa sim que estamos sendo prudentes e sábios. Muitos grandes homens de Deus na história eram homens extremamente disciplinados. Exemplos: John Wesley, D.L.Moody, Dr. Shedd, e muitos outros. Esses irmãos não são legalistas. Sua consciência não estava amarrada ao fato deles acharem que a Graça de Deus está limitada a sua disciplina em exercer ou fazer algo, para que esta seja manifestada através de suas vidas. Mas sua concepção era que a pratica destas disciplinas não realizadas por realizar, não feitas por fazer, mas sim realizadas, feitas de todo coração, de modo consciente e também com o coração. A junção de sua busca ao Senhor com o seu amor em realizar boas obras de forma sistemática e concisa fizeram deles homens usados tremendamente por Deus em ganhar vidas para Jesus, em aprender para lecionar com excelência, homens de oração, etc.
2ª
Pontuação – Avivamento.
Toda
vez que utilizamos o termo “avivamento”, muitas pessoas confundem
o real sentido da palavra, com gritarias, alvoroços, barulhos, e
outras atividades chamadas de extravagante. Porém o termo avivamento
é derivado da palavra vida. Em termos gramaticais avivar é um
verbo, que pressupõe uma ação, essa ação especificamente é de
Deus, reanimando, trazendo vida novamente a uma igreja adormecida, a
uma igreja sonolenta. Em minha pequenez concordo com o Dr. Loyd-Jones
quando ele diz que: “É
uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza
uma obra incomum. Ele a realiza, primeiramente, entre os membros da
Igreja: é um reviver dos crentes. Não se pode reviver algo que
nunca teve vida; assim, por definição, o avivamento é
primeiramente uma vivificação, um revigoramento, um despertamento
de membros de igreja que se acham letárgicos, dormentes, quase
moribundos”
5
O
avivamento de toda uma comunidade cristã, de toda uma nação, se dá
de fato e de verdade quando se inicia na vida diária de cada cristão
que faz parte do cristianismo autêntico e verdadeiro.
É
impossível ter um avivamento sem ter santidade. Sem ter mudança de
vida, sem caminhar na contramão dos valores em vigor. É impossível
caminhar na contramão sem incomodar aquele que está com seu coração
apegado as coisas materiais. Nossas igrejas estão repletas de
pessoas que amam, e dão mais valor as suas casas, seus carros, suas
joias, seus sapatos, sua aparência física, sues diplomas, sua
profissão, do que a pessoa de Jesus e a missão delegada a sua
igreja.
Quando
ocorre realmente um avivamento em nossas vidas nós damos mais valor
as coisas do alto, como diz o apóstolo Paulo, quando realmente
ocorre um avivamento em nossas vidas nós temos mais prazer nas
praticas da vida cristão como por exemplo: a comunhão com os
irmãos, a oração, a pregação do evangelho, a ajuda ao
necessitado, etc.
Minha
pergunta a você nesta manhã é: “Em que você tem aplicado sua
vida, seus esforços, seu dinheiro, seu intelecto, etc?”
O
avivamento em sua família, em sua igreja, entre nós os Batistas
Cariocas, entre nós os Batistas Brasileiros, entre nós o povo de
Deus, entre a nação em que vivemos. Quando cada um de nós formos
alvos da manifestação graciosa de Deus e respondermos a esta
manifestação através de uma vida que dê frutos de justiça para a
Glória de Deus o nosso Pai. Enquanto esse dia não chegar, apenas
estamos experimentando vestígios de tal coisa.
3
– Vivência de uma espiritualidade sadia.
A
Bíblia apresenta uma fé relevante como uma fé cotidiana. Uma fé
que não está alheia aos acontecimento ao seu redor. A uma fé que
gera em nós a apreciação e a luta para que os valores Eternos do
Reino de Deus sejam vivenciados por todos de uma forma alegre e viva,
não por força ou troca. Mas de forma harmoniosa e graciosa.
Nossa
cosmovisão sobre o homem e a sociedade precisam mudar. Nós não
somos apenas aqueles que querem difundir ou catequizar pessoas a uma
crença. Mas nós somos portadores de uma mensagem que pode mudar a
realidade em todos os aspectos da vida humana. Nosso intenção não
é ganhar adeptos de uma religião e sim expandirmos o Reino de Deus
e sua justiça. Nossa mentalidade não é de escravizarmos as pessoas
a uma doutrina e sim fazê-las experimentar o poder transformador e
regenerador da Palavra de Deus.
Precisamos
entender que a missão não é nossa, a missão é de Deus. A missão
começou com o Senhor, e hoje somos nós os seus cooperadores na
aplicação e cumprimento de sua missão. Para isso precisamos para
de enxergar o evangelho como um catequismo; “Ganhar almas,
discipular, treinar, plantar igrejas e pronto, missão cumprida”.
O
chamado de Deus a uma espiritualidade sadia perpassa em nós sermos o
que Deus tinha em mente para Adão antes da queda. Perpassa em nós
sermos semelhantes a Jesus o exemplo. Sua vida alcançou diversas
esferas: deu comida ao faminto, deu saúde ao enfermo, deu atenção
aos carentes, reintegrou os excluídos (prostitutas, adúlteros,
deficientes físicos, etc) sociais novamente a sociedade, transformou
vidas através do ensino, etc.
O
desafio de Deus para nossa geração é que não tenhamos mais a
pretensão de acharmos que a missão depende do paradigma, culto,
clero, templo. O nosso desafio é viver o evangelho todo, de forma
que todo evangelho, alcance todo homem, em todo lugar, não por uma
imposição, mas pelo fato de os homens verem as nossas boas obras e
glorificarem o nosso Pai que estás nos céus.
Nessa
manhã a pergunta de Deus a você é semelhante a que fez aos
discípulos em Cesaréia de Filipe:
“Chegando
Jesus à região de Cesaréia de Filipe, perguntou aos seus
discípulos: "Quem os homens dizem que o Filho do homem é?
Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros,
Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas. "E vocês?
", perguntou ele. "Quem vocês dizem que eu sou? Simão
Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Respondeu Jesus: "Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque
isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que
está nos céus. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que
você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você
desligar na terra terá sido desligado nos céus".”(Mateus
16.13-19)
Conclusão:
Dependo
de sua resposta a esta pergunta. Você saberá dizer se você precisa
ser regenerado ou precisa ser reformado. Minha sincera oração é
que o Espírito de Deus, conduza você, nestas duas opções que
estão diante de vós. De modo que se for para regeneração, que
seja feito assim por obra do Santo Espírito. Se for para reforma,
que seja feita assim por obra do Santo Espírito. Para que dos dois
modos nossas vidas rendam glórias ao nome do Senhor Jesus Cristo.
Amém!
Nele,
que realiza tanto o querer como efetuar!
Pr.
Roberto da Silva Meireles Rodrigues.
1FERREIRA,
Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio. São
Paulo: Nova Fronteira, 2000. p. 592.
2FERREIRA,
Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio. São
Paulo: Nova Fronteira, 2000. p. 591.
3FERREIRA,
Franklin, MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise
histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São
Paulo: Vida Nova; 2006. p.806.
4BERKHOF,
Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2ª
ed. 2001. p.489.
5LOYD-JONES,
D.M. Do temor a fé. 2ª ed. São Paulo: Vida, 1987. p. 73.

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