segunda-feira, 18 de junho de 2012

Capítulo IX – Agostinho e seu legado teológico.


Capítulo IX – Agostinho e seu legado teológico.
Quando pensava em me consagrar por inteiro ao teu serviço, Deus meu, … era eu quem queria fazê-lo, eu quem não queria fazê-lo. Era eu mesmo. E porque não queria de todo, nem de todo não queria, lutava comigo mesmo e me rasgava em pedaços.”
(Agostinho de Hipona)


1.1. INTRODUÇÃO:
Agostinho nasceu em 354 no povoado de Tagaste, no norte da África. Seu pai era um oficial romano do alto escalão. Sua mãe, porém, era uma serva consagrada ao Senhor Senhor Jesus. Agostinho fala muito pouco sobre seu pai em seus escritos. Porém, sobre sua mãe encontramos citações. Parece-nos que ainda quando adulto mante uma grande proximidade de sua mãe.
O que nos parece notório é que seus pais sabiam que estavam diante de um menino de uma mente privilegiada. E por este motivo investiram pesado na educação de seu filho. Primeiro o enviaram para uma cidade próxima chamada Madura, e depois, mais tarde o enviaram à Cartago.
Agostinho chegou a Cartago aos dezessete anos. Ele esmerou-se em seus estudos. Mas Cartago tinha muitos outros encantos para um jovem dezessete anos. Cartago foi o centro político, social e econômico da África durante muitos anos. Ali o futuro bispo conheceu uma mulher, com quem passou a conviver e teve um filho, que deu-se o nome de Adeotado.
A disciplina em que se dedicava em aprender era a retórica. Esta era ensinada aos advogados e funcionários públicos e tinha a finalidade de levar as pessoas ao convencimento. Sem se preocupar se o que se expunha era verdade ou não. A verdade era uma preocupação da filosofia.
Uma dos autores em que Agostinho tinha como sua fonte de consulta era Cícero. Em uma de suas obras ele identificou que Cícero concatenava a retórica e a filosofia. Agostinho convenceu-se de que não era necessário somente a busca pela retórica, convencendo-se da necessidade da busca pela verdade.
Em busca dessa verdade Agostinho mergulho inicialmente no maniqueismo. González em sua obra explica o que é o maniqueismo. Diz ele:
O maniqueismo era uma religião de origem persa, fundada por Mani na primeira metade do século III. Na opinião de Mani a difícil situação humana era causada pelos dois princípios que há em cada um de nós. Um deles é espiritual e luminoso. O outro – a matéria – é físico e tenebroso. Em todo o Universo há dois princípios igualmente eternos: a luz e as trevas. De alguma maneira, que os maniqueus explicavam através de uma série de mitos, estes dois princípios se mesclaram e confundiram, e esta confusão se projetou sobre a situação humana. A salvação, então consiste em separar esses dois elementos e em preparar nosso espírito para a volta do reino da luz, e sua fusão com a luz eterna. Como toda nova mistura é necessariamente má, os novos crentes devem fazer tudo para evitá-la – e por esta razão os maniqueus, apesar de não condenarem o o sexo, condenavam a procriação. Mani dizia que essa doutrina tinha sido revelada em diversas épocas e vários profetas, entre os quais estavam Buda, Zoroastro, Jesus, e por último, ele próprio.
O maniqueismo tinha um grande público nos dias de Agostinho devido ao fato de seu discurso ter uma capa de “racional”. O mesmo era explicado e difundido tendo como seus pressupostos mitos e lendas explanado por seus defensores. Os maniqueus ridicularizavam a doutrina cristã a chamando de primitiva e indigna de confiança.
Agostinho encontro no maniqueismo inicialmente uma resposta que aparentemente ele não encontrava no cristianismo sobre o problema do mal. Para os maniqueus o mal foi gerado junto com o bem no início. Só que o mesmo foi gerado pelo seu oponente, as trevas. Agostinho também ridicularizava as Escrituras achava a mesma, principalmente o Antigo Testamento, um conjunto de livros bárbaros, que contavam episódios violentos, grosseiros e engano.
Porém Agostinho começou a questionar as doutrinas maniqueista e sempre ouvia a mesma coisa; “suas dúvidas serão sanadas por Fausto. Pois elas são profundas de mais para nós”. Com isso Agostinho ansiou por encontro Fausto e retirar do mesmo todas as suas dúvidas.
Quando chegou o grande dia do encontro com o mesmo. Foi uma decepção! Aquele a quem eles chamavam de grande mestre. Não foi capaz de saciar a incrível mente de Agostinho que o bombardeou com suas dúvidas. Decepcionado o gênio largou o maniqueismo e se dedicou a lecionar retórica primeiro Cártago. Depois decepcionado com seus alunos se mudou para Roma, onde teve dificuldades financeiras, pois seus alunos tinha dificuldade em pagar seu salário. Então foi para Milão, onde havia uma vaga de professor de retórica.
Em Milão o estimado professor de retórica se tornou neoplatônico. Foi nessa disciplina que encontrou uma resposta plausiva para o problema da origem do mal. O neoplatonismo o ajudou a entender melhor a questão da alma, e a pensar menos de maneira materializada.
Como professor em Milão de retórica. Ouvi dizer da magnifica oratória do famoso bispo Ambrósio. Na mente de Agostinho a fama de Ambrósio ser um bom pregador era derivado de sua retórica e não da boa explanação das Escrituras. Então ele pessoalmente foi conferir, ouvindo o então ilustre pregador. Foi ouvindo este pregador que ele conseguiu visualizar a beleza das Escrituras sendo expostas pela interpretação alegórica de Ambrósio.
Após isso Agostinho começou a se sensibilizar ao evangelho. Em um dia sentando embaixo de uma árvore ele começou a ouvir a seguinte mensagem: “Toma e lê. Toma e lê. Toma e lê”. Era a voz de uma menino que brincava no parque. Instantes antes, o teólogo africano, havia jogado fora, em algum outro lugar do parque, um manuscrito que estava lendo.
Após ouvir isso, ele voltou no local onde havia jogado fora. Tomou-o novamente e leu: “Não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne”. (Romanos 13.13-14). Neste momento nascia para fé uma das mentes teológicas, mais brilhantes que alguns anos após seria conhecido como: “Santo Agostinho”.


A VIDA CONTEMPLATIVA:
Após ter se convertido. Agostinho procurou o conhecido bispo Ambrósio para ser batizado e encaminhado em seus primeiros passos na fé. O que parece-nos é que Ambrósio, não percebeu em Agostinho todo seu potencial. Agostinho renunciou o seu cargo de professor de retórica e junto de seu filho, sua mãe e um grupo de amigos, regressaram para o norte da África, e lá se dedicaram a vida contemplativa.
Algum tempo depois sua mãe morreu, ficando ele, seu filho Adeotado e seus amigos. Depois destes fatos Agostinho decidiu vender seus bens e doar o dinheiro aos pobres e foram para Tagaste. Não chegou a ter uma vida parecida com a dos monges do deserto. Mas levou uma vida muito disciplinada de oração, meditação e devoção ao estudos. Foi nesta época que ele escreveu as suas primeiras obras cristãs. Nestas obras ficou nítida sua tendência noeplatônica.
MINISTRO DA IGREJA
Agostinho em 391, visitou a cidade de Hipona para visitar um amigo. Ao chegar na cidade foi ouvir a exposição do bispo Valério. Neste dia o bispo falou sobre a vocação pastoral. Como Deus vocaciona homens no meio do seu povo para apascentar o seu rebanho. E neste dia falou da necessidade de se levanta entre a sua comunidade cristã um pastor para o seu lugar. Haja vista que ele estava já bem idoso e seu ministério estava no fim. E pediu que a congregação indicasse algum nome para a função.
O nome de Agostinho foi unanimidade e logo então foi ordenado contra a sua vontade. Quatro mais tarde ele foi feito bispo de Hipona junto com Valério, que estava fazendo de tudo para segurar Agostinho. Pois o experiente bispo já havia percebido no rapaz tão grande potencial. Valério sabia que desse modo estava garantindo que Agostinho ficasse por toda a sua vida em Hipona. Naquela época era proibido um bispo se transferir de uma comunidade para outra, Agostinho não sabia disso, mas também era proibido dois bispos na mesma igreja.
TEÓLOGO DA IGREJA OCIDENTAL
Agostinho em suas primeiras obras refutou a heresia Maniqueista. Como anteriormente ele havia defendido o maniqueismo. Agora ele se sentia na obrigação de combater tal heresia. Por este motivo ele escreveu tratados sobre os seguintes temas: autoridade das Escrituras, a origem do mal e livre arbítrio. No capítulo anterior nós estudamos sobre a controvérsia donástica. Os irmãos sabem que a heresia se expandiu na África. Como Agostinho era bispo em Hipona, na África. Agostinho insistiu sobre a validação dos sacramentos não ser válida pelo ministrante.
    1. James Sawyer vai descrever em seu livro um pequeno resumo teológico das contribuições de Agostinho para a igreja:
Agostinho foi o último dos escritores cristãos antigos e a fonte mais citada da teologia produzida na Idade Média. Ele é reconhecido como um dos quatro doutores da Igreja Antiga (com Ambrósio, Jerônimo e Gregório, o Grande). Além disso, a Reforma foi construída diretamente sobre sua teologia, fazendo de Agostinho uma força também nos movimentos protestantes. Os teólogos católicos veem na eclesiologia de Agostinho (visível versus invisível) e nos sacramentos (regulares e válidos) sua grande contribuição .Os protestantes apreciam sua ideias sobre a antropologia (a depravação do homem) e a soteriologia (salvação somente pela graça). Durante a Idade Média, a Igreja interpretou erradamente as perspectivas de Agostinho acerca da antropologia e a soteriologia, e foi somente na Reforma que seu ensino foi descoberto em primeira mão.
Agostinho formulou sua doutrina do pecado original, e a consequente depravação total, com base nos ensinos do apóstolo Paulo, filtrada pelas lentes de suas lutas pessoais contra a tentação sexual e o pecado. Sua doutrina sobre a depravação e a incapacidade humanas provocou uma resposta inflamada da parte de Pelágio, destacado monge britânico que ensinava em Roma (v. “Pelágio”, mais adiante, “Pelagianismo”, no cap. 18). Entre os anos 411 e 431, vários concílios trataram da controvérsia pelagiana. Foi nesse contexto que Agostinho argumentou a favor da doutrina do pecado original – dívida, culpa e corrupção herdadas de Adão. Além disso, Agostinho defendia a predestinação, o ensino de que toda humanidade estava afundada no pecado e que Deus elegera alguns para receber a graça salvadora.
Agostinho influenciou grandemente Martinho Lutero, João Calvino e outros reformadores, especialmente com as doutrinas da depravação, da predestinação e da perseverança. Suas duas obras mais conhecidas, Confissões e Cidade de Deus, são consideradas até hoje grandes clássicos do cristianismo.”1


1SAWYER, M. James. Uma introdução à Teologia: das questões preliminares, da vocação e do labor teológico. São Paulo: Vida. 2009. pg.527.

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