Projeto – “De bem com a Bíblia” – abril de 2024
Professor
– Roberto da Silva Meireles Rodrigues
Livro
– Gálatas.
8º AULA – TURISTANDO EM JERUSALÉM!
“Depois de três anos,
subi a Jerusalém para conhecer Cefas; e passei quinze dias com ele. Mas não vi
nenhum dos outros apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor. Sobre tudo isso
que vos escrevo, declaro diante de Deus que não estou mentindo. (Gálatas 1:18-20)”
A maioria dos estudiosos, dentre eles: John Stott,
William Hendriksen, Adolph Pohl, Donald Guthrie, N.T.Wright, Augustus
Nicodemus, acreditam que Paulo faz referência cronológica – Depois de três anos
- a sua conversão e chamada. O apóstolo tem realmente desejo de fazer uma
ligação dos eventos. Donald Guthrie destaca o termo “depois” (epeita) para
demonstrar esse desejo de Paulo. Guthrie diz assim: “... a palavra “depois”
(epeita), assim traduzida no v.21 e em 2.1, e que aqui representa por
decorridos..., chama atenção especialmente para o próximo evento na ordem de
sequência e demonstra que Paulo está ciente da ligação entre os vários eventos
que o levaram a entrar em contato com os líderes em Jerusalém. O período de
três anos, de acordo com o método de cálculo judaico, pode representar pouco
mais de um ano se o primeiro e o terceiro anos representarem apenas parte de um
ano, como é bem provável. É impossível ser mais exato, porque a expressão
poderia significar igualmente três anos inteiros. Quanto mais curto o período,
tanto melhor se conformaria com a impressão dada por Atos. O período mencionado
presumivelmente data da conversão de Paulo, sendo esta o ponto crítico de sua
experiência.”[1]
Como
acabamos de observar na citação de Guthrie não podemos ter certeza absoluta
sobre o real significado de tempo da expressão “três anos” – podendo existir
uma margem de erro de tempo tanto para mais como para menos. Todavia, a fração
de tempo não diminui ou altera a essência da ideia exprimida pelo apóstolo ao
falar que só subiu a Jerusalém após um tempo considerável, pois o desejo de
Paulo é deixar claro que ele não recebeu influência em seu evangelho e nem
pediu autorização de nenhum outro apóstolo para o cumprimento de sua vocação.
Ao
chegar em Jerusalém o apóstolo diz ter estado presencialmente apenas com dois
apóstolos. O primeiro foi Cefas, ao qual o Senhor trocou o nome para Pedro. O
segundo foi Tiago, conhecido como o líder do colegiado apostólico e, também por
ser o meio irmão biológico de Jesus. Todavia, a expressão usada por Paulo nos
evidencia que ele não foi a Jerusalém querendo aprender algo com os apóstolos e
nem também para que estes referendassem seu ministério.
John
Stott faz o seguinte comentário acerca desta questão: “Depois, quando chegou
a Jerusalém, avistou-se apenas com dois apóstolos, Pedro e Tiago. Ele foi para
“avistar-se” (ERAB) ou “conhecer” (BLH) Pedro. O verbo grego (historesai) era
usado no sentido de fazer turismo e significa “visitar com o propósito de
conhecer uma pessoa” (Arndt-Gingrich). Lutero comenta que Paulo foi visitar
esses apóstolos “não porque recebeu tal ordem, mas de sua própria vontade; não
para aprender alguma coisa com eles, mas apenas para conhecer Pedro”. Paulo
também conheceu Tiago, que parece estar aqui relacionados entre os apóstolos
(versículo 19). Não viu, porém, nenhum dos outros apóstolos. Pode ser que eles
estivessem ausentes, ou ocupados demais, ou até mesmo com medo de Paulo (cf.
Atos 9:26) ... Resumindo, a primeira visita de Paulo a Jerusalém deu-se apenas
depois de três anos, durou duas semanas, e ele viu apenas dois apóstolos.
Portanto, é ridículo sugerir que tenha recebido o seu evangelho dos apóstolos
em Jerusalém.”[2]
Hendriksen
destaca o fato de Paulo não ter encontrado os demais apóstolos em Jerusalém
pelos mesmos não estarem por lá. Sabemos que após a diáspora ocasionada pela
perseguição registrada em Atos dos Apóstolos 8.1 os apóstolos não saíram de
Jerusalém, pois a Bíblia assim nos registra. Porém, isso aconteceu durante
aquele período, o que não impede que no momento da visita de Paulo – pelo menos
três anos após estes fatos em uma cronologia aproximada – possam no momento da
visita de Paulo estarem em espalhados em outros lugares.
Ao
afirmar categoricamente que não está mentindo o apóstolo Paulo pontua algo que
deveria levar a todos nós discípulos de Jesus levar em consideração. O apóstolo
invoca a presença do Senhor, ele traz luz a nossa consciência que o Senhor Deus
é Onisciente e também Onipresente. Por mais elaborada, engenhosa e convincente
que seja a mentira, ela continuará sendo uma mentira. Ela poderá enganar a
homens, porém jamais irá enganar a Deus.
Um
verdadeiro discípulo de Jesus tem isso bem claro em sua mente e em seu coração.
Ele é consciente que o pai da mentira é o inimigo de nossas almas (João 8.44). Nosso
Senhor Jesus nos instruiu a andar sempre na luz para que nossas obras sejam
manifestas e glorifiquem o nosso Pai que estás nos céus (João 3.21). Tendo
alertado a isso é importante, ou melhor, de suma importância que possamos andar
na luz sempre.
Gosto
da conclusão que o Rev. Hernandes Dias Lopes faz em seu comentário sobre os
versos em questão: “Resumindo, a primeira visita de Paulo a Jerusalém deu-se
apenas depois de três anos, durou apenas duas semanas, e ele encontrou apenas
dois apóstolos. Portanto, é ridículo sugerir que tenha recebido o seu evangelho
dos apóstolos em Jerusalém.”[3]
BIBLIOGRAFIA:
AGOSTINHO, Santo, Bispo de Hipona. A
Graça (II) / Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 1999.
CALVINO, João. Gálatas.
São José dos Campos, SP: Editora Fiel. 2007
CARSON,
D. A. / MOO, Douglas J. / MORRIS, Leon. Introdução ao Novo
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GUTHRIE, Donald. Introdução
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HALE, Broadus David.
Introdução ao estudo do Novo Testamento; São Paulo, SP: Hagnos, 2001.
HALLEY, Henry Hamptom.
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HENDRIKSEN, William.
Comentário do Novo Testamento – Gálatas. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2019.
KELLER, Timothy.
Gálatas o valor inestimável do evangelho. São Paulo: Vida Nova, 2015.
KELLER,
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LADD, George Eldon.
Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2003.
LOPES, Hernandes Dias.
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LUTERO, Martinho.
Martinho Lutero: obras selecionadas, v.10 – Interpretação do Novo Testamento –
Gálatas – Tito. São Leopoldo: Sinodal, Canoas: ULBRA, Porto Alegre: Concórdia,
2008.
MacARTHUR, John. Comentário
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MacGRATH, Alister.
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Livrem em Cristo – A mensagem de Gálatas para a igreja de hoje. São Paulo, SP:
Vida Nova, 2016.
POHL, Adolf.
Carta aos Gálatas: Comentário Esperança. Curitiba, PR: Editora Evangélica
Esperança, 1999.
STOTT, John R.W.
A mensagem de Gálatas: somente um caminho. São Paulo: ABU Editora, 2007.
WRIGHT, N.T.
Gálatas: comentário para a formação cristã. Rio de Janeiro: Thomas Nelson,
2023.
[1] GUTHRIE, Donald. Introdução e
comentário de Gálatas. São Paulo, SP: Vida Nova, 1984, pg. 87.
[2] STOTT, John R.W. A mensagem de Gálatas:
somente um caminho. São Paulo: ABU Editora, 2007, pg. 36.
[3] LOPES, Hernandes Dias. Gálatas: A carta
da liberdade cristã. São Paulo, SP: Hagnos, 2011, pg. 75.

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