quinta-feira, 18 de abril de 2024

8º AULA – TURISTANDO EM JERUSALÉM!


 Projeto – “De bem com a Bíblia” – abril de 2024

Professor – Roberto da Silva Meireles Rodrigues

Livro – Gálatas.

8º AULA – TURISTANDO EM JERUSALÉM!

“Depois de três anos, subi a Jerusalém para conhecer Cefas; e passei quinze dias com ele. Mas não vi nenhum dos outros apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor. Sobre tudo isso que vos escrevo, declaro diante de Deus que não estou mentindo. (Gálatas 1:18-20)”

A maioria dos estudiosos, dentre eles: John Stott, William Hendriksen, Adolph Pohl, Donald Guthrie, N.T.Wright, Augustus Nicodemus, acreditam que Paulo faz referência cronológica – Depois de três anos - a sua conversão e chamada. O apóstolo tem realmente desejo de fazer uma ligação dos eventos. Donald Guthrie destaca o termo “depois” (epeita) para demonstrar esse desejo de Paulo. Guthrie diz assim: “... a palavra “depois” (epeita), assim traduzida no v.21 e em 2.1, e que aqui representa por decorridos..., chama atenção especialmente para o próximo evento na ordem de sequência e demonstra que Paulo está ciente da ligação entre os vários eventos que o levaram a entrar em contato com os líderes em Jerusalém. O período de três anos, de acordo com o método de cálculo judaico, pode representar pouco mais de um ano se o primeiro e o terceiro anos representarem apenas parte de um ano, como é bem provável. É impossível ser mais exato, porque a expressão poderia significar igualmente três anos inteiros. Quanto mais curto o período, tanto melhor se conformaria com a impressão dada por Atos. O período mencionado presumivelmente data da conversão de Paulo, sendo esta o ponto crítico de sua experiência.”[1]

            Como acabamos de observar na citação de Guthrie não podemos ter certeza absoluta sobre o real significado de tempo da expressão “três anos” – podendo existir uma margem de erro de tempo tanto para mais como para menos. Todavia, a fração de tempo não diminui ou altera a essência da ideia exprimida pelo apóstolo ao falar que só subiu a Jerusalém após um tempo considerável, pois o desejo de Paulo é deixar claro que ele não recebeu influência em seu evangelho e nem pediu autorização de nenhum outro apóstolo para o cumprimento de sua vocação.

            Ao chegar em Jerusalém o apóstolo diz ter estado presencialmente apenas com dois apóstolos. O primeiro foi Cefas, ao qual o Senhor trocou o nome para Pedro. O segundo foi Tiago, conhecido como o líder do colegiado apostólico e, também por ser o meio irmão biológico de Jesus. Todavia, a expressão usada por Paulo nos evidencia que ele não foi a Jerusalém querendo aprender algo com os apóstolos e nem também para que estes referendassem seu ministério.

            John Stott faz o seguinte comentário acerca desta questão: “Depois, quando chegou a Jerusalém, avistou-se apenas com dois apóstolos, Pedro e Tiago. Ele foi para “avistar-se” (ERAB) ou “conhecer” (BLH) Pedro. O verbo grego (historesai) era usado no sentido de fazer turismo e significa “visitar com o propósito de conhecer uma pessoa” (Arndt-Gingrich). Lutero comenta que Paulo foi visitar esses apóstolos “não porque recebeu tal ordem, mas de sua própria vontade; não para aprender alguma coisa com eles, mas apenas para conhecer Pedro”. Paulo também conheceu Tiago, que parece estar aqui relacionados entre os apóstolos (versículo 19). Não viu, porém, nenhum dos outros apóstolos. Pode ser que eles estivessem ausentes, ou ocupados demais, ou até mesmo com medo de Paulo (cf. Atos 9:26) ... Resumindo, a primeira visita de Paulo a Jerusalém deu-se apenas depois de três anos, durou duas semanas, e ele viu apenas dois apóstolos. Portanto, é ridículo sugerir que tenha recebido o seu evangelho dos apóstolos em Jerusalém.”[2]

            Hendriksen destaca o fato de Paulo não ter encontrado os demais apóstolos em Jerusalém pelos mesmos não estarem por lá. Sabemos que após a diáspora ocasionada pela perseguição registrada em Atos dos Apóstolos 8.1 os apóstolos não saíram de Jerusalém, pois a Bíblia assim nos registra. Porém, isso aconteceu durante aquele período, o que não impede que no momento da visita de Paulo – pelo menos três anos após estes fatos em uma cronologia aproximada – possam no momento da visita de Paulo estarem em espalhados em outros lugares.

 

            Ao afirmar categoricamente que não está mentindo o apóstolo Paulo pontua algo que deveria levar a todos nós discípulos de Jesus levar em consideração. O apóstolo invoca a presença do Senhor, ele traz luz a nossa consciência que o Senhor Deus é Onisciente e também Onipresente. Por mais elaborada, engenhosa e convincente que seja a mentira, ela continuará sendo uma mentira. Ela poderá enganar a homens, porém jamais irá enganar a Deus.

            Um verdadeiro discípulo de Jesus tem isso bem claro em sua mente e em seu coração. Ele é consciente que o pai da mentira é o inimigo de nossas almas (João 8.44). Nosso Senhor Jesus nos instruiu a andar sempre na luz para que nossas obras sejam manifestas e glorifiquem o nosso Pai que estás nos céus (João 3.21). Tendo alertado a isso é importante, ou melhor, de suma importância que possamos andar na luz sempre.

            Gosto da conclusão que o Rev. Hernandes Dias Lopes faz em seu comentário sobre os versos em questão: “Resumindo, a primeira visita de Paulo a Jerusalém deu-se apenas depois de três anos, durou apenas duas semanas, e ele encontrou apenas dois apóstolos. Portanto, é ridículo sugerir que tenha recebido o seu evangelho dos apóstolos em Jerusalém.”[3]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

AGOSTINHO, Santo, Bispo de Hipona. A Graça (II) / Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 1999.

CALVINO, João. Gálatas. São José dos Campos, SP: Editora Fiel. 2007

CARSON, D. A. / MOO, Douglas J. / MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo, SP: Vida Nova, 1997.

GUTHRIE, Donald. Introdução e comentário de Gálatas. São Paulo, SP: Vida Nova, 1984.

HALE, Broadus David. Introdução ao estudo do Novo Testamento; São Paulo, SP: Hagnos, 2001.

HALLEY, Henry Hamptom. Manual Bíblico de Haley. São Paulo: Editora Vida, 2001.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – Gálatas. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2019.

KELLER, Timothy. Gálatas o valor inestimável do evangelho. São Paulo: Vida Nova, 2015.

KELLER, Timothy. Gálatas para você. São Paulo: Vida Nova, 2015.

LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2003.

LOPES, Hernandes Dias. Gálatas: A carta da liberdade cristã. São Paulo, SP: Hagnos, 2011.

LUTERO, Martinho. Martinho Lutero: obras selecionadas, v.10 – Interpretação do Novo Testamento – Gálatas – Tito. São Leopoldo: Sinodal, Canoas: ULBRA, Porto Alegre: Concórdia, 2008.

MacARTHUR, John. Comentário Bíblico MacArthur: desvendando a verdade de Deus, versículo a versículo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2019.

MacGRATH, Alister. Teologia para amadores. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

NICODEMUS, Augustus. Livrem em Cristo – A mensagem de Gálatas para a igreja de hoje. São Paulo, SP: Vida Nova, 2016.

POHL, Adolf. Carta aos Gálatas: Comentário Esperança. Curitiba, PR: Editora Evangélica Esperança, 1999.

STOTT, John R.W. A mensagem de Gálatas: somente um caminho. São Paulo: ABU Editora, 2007.

WRIGHT, N.T. Gálatas: comentário para a formação cristã. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2023.

 

 



[1] GUTHRIE, Donald. Introdução e comentário de Gálatas. São Paulo, SP: Vida Nova, 1984, pg. 87.

[2] STOTT, John R.W. A mensagem de Gálatas: somente um caminho. São Paulo: ABU Editora, 2007, pg. 36.

[3] LOPES, Hernandes Dias. Gálatas: A carta da liberdade cristã. São Paulo, SP: Hagnos, 2011, pg. 75.

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